| Sebastião Moreira/Agência Estado |
 Destroços foram encontrados em meio à mata fechada |
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Estava para se completar uma década desde a queda do Fokker 100 da TAM em São Paulo, o último grave acidente aéreo no Brasil, quando o País foi surpreendido pelo desaparecimento de um Boeing 737-800 da Gol, na Amazônia. Horas depois veio a confirmação: a aeronave caíra em mata fechada matando os 154 ocupantes, no maior desastre da aviação brasileira.
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A queda foi causada por um dos motivos mais improváveis para os especialistas em segurança da aviação: a colisão com outra aeronave em pleno vôo. No caso, o choque se deu com um Legacy da Embraer, pilotado por dois americanos que levavam o jato para os EUA. Os seis ocupantes do Legacy não sofreram ferimentos, e conseguiram aterrissar em uma base militar na região da Serra do Cachimbo, em Mato Grosso.
Passado o primeiro momento de resgate dos corpos das vítimas, a investigação sobre a causa do acidente apontou um emaranhado de versões diferentes e uma infindável troca de acusações entre os envolvidos. A Polícia Federal apreendeu os passaportes de Jan Paladino e Joe Lepore, os pilotos do jato, e iniciou a investigação.
Logo surgiu o primeiro vilão: o problemático sistema de monitoração de tráfego aéreo. Em seguida vieram outros, e termos como transponder, caixa de voz, sistema anticolisão e plano de vôo tornaram-se comuns no vocabulário do brasileiro.
As trocas de acusações prosseguiram. Os controladores protestaram contra condições de trabalho precárias. O governo respondeu e disse que não sabia da situação caótica. As tais zonas cegas nos radares foram comprovadas e os pilotos do Legacy foram liberados após indiciamento.
Os controladores não aceitaram a pressão e lançaram a chamada "Operação Padrão". O céu brasileiro literalmente parou no ano em que o País celebrou o centário do vôo do 14-Bis de Santos Dumont.
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