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Muçulmanos travam guerra contra o papa e chargistas
 
Reuters
Em seu primeiro ano à frente da Igreja Católica, Bento XVI teve trabalho para se reconciliar com os muçulmanos
Em seu primeiro ano à frente da Igreja Católica, Bento XVI teve trabalho para se reconciliar com os muçulmanos
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O primeiro ano do pontificado de Bento XVI foi marcado pela polêmica gerada por suas declarações em relação ao islamismo. Em visita à Alemanha, em setembro, o Papa condenou o fundamentalismo religioso e afirmou que a "jihad" (guerra santa) segue contra Deus, considerando "irracional" defender a fé por meio da violência.

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A resposta da comunidade islâmica ao redor do mundo foi imediata. Autoridades muçulmanas consideraram as declarações de Bento XVI "irritantes e deploráveis". Na oportunidade, o secretário-geral do Conselho Central dos Muçulmanos, Aiman Mazyek, lembrou que a história do cristianismo também foi sangrenta, citando como exemplo "a época das cruzadas e a conversão obrigatória de judeus e muçulmanos na inquisição espanhola".

O Papa voltou atrás nas declarações e pediu desculpas, mas os islâmicos não se acalmaram. Em diversos países, manifestações marcaram a revolta. Um braço armado da Al-Qaeda, o Ansar al-Suna, ameaçou o mundo ocidental, especialmente a Itália, por causa das declarações de Bento XVI.

Em novembro, Bento XVI fez sua primeira viagem como papa à Turquia, país onde o islamismo tem um grande número de fiéis. A visita, antecedida por um clima tenso, foi marcada por encontros com autoridades turcas e pela aproximação dos católicos com a Igreja Ortodoxa e elogios da comunidade muçulmana.

Caricaturas da discórdia
Bem antes disso, um episódio já havia provocado a revolta dos islâmicos. A polêmica das charges de Maomé, que começou em 2005, quando um jornal dinamarquês publicou 12 desenhos do profeta em nome da liberdade de expressão, deixou um rastro de violência em vários países durante este ano. As embaixadas da Dinamarca e da Noruega em Damasco foram incendiadas e manifestações deixaram vários mortos e feridos em diversos países.

Durante o ano, outros jornais também publicaram charges. Jornalistas foram ameaçados de morte. Muitos periódicos pediram desculpas, outros insistiram na liberdade de expressão e "tradição de bom humor". O Talibã chegou a oferecer ouro para quem matasse o caricaturista dinamarquês.

Em setembro, um ano depois do início da crise, as caricaturas ainda provocavam polêmica. Em uma pesquisa, um quarto dos dinamarqueses afirmaram que tinham um sentimento mais negativo em relação aos muçulmanos se comparado a antes da polêmica dos desenhos. Os protestos em países muçulmanos continuaram, assim como a publicação de novas charges em revistas e jornais, inclusive em países islâmicos.
 

Redação Terra

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