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Varig passa por maior crise e vai a leilão 2 vezes
 
EFE
Crise na Varig gerou protestos e comoção em todo o País
Crise na Varig gerou protestos e comoção em todo o País
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A companhia aérea Varig passou por sua crise mais grave neste ano de 2006. Com uma dívida que chegou a R$ 100 milhões com credores e a R$ 900 mil com a Infraero, a empresa foi a leilão duas vezes, sendo arrematada em 20 de julho por uma ex-subsidiária, a Varig Log, por R$ 24 milhões.

Líder do setor até meados da década de 80, a Varig iniciou seu declínio no mercado durante o governo de Fernando Collor de Mello, quando perdeu o monopólio das rotas internacionais. A empresa passou a concorrer com a Vasp e a Trasbrasil e começou a ter prejuízo. A crise de agravou em 1999, com a desvalorização cambial da era Fernando Henrique Cardoso.

Em 2004, órgãos reguladores brasileiros suspendem o acordo de code-chare (compartilhamento de vôos) entre Varig e Tam por considerá-lo prejudicial ao consumidor. Com o fim da parceria, a crise se agrava e faz a aérea cancelar rotas. No dia 17 de junho de 2005, a companhia entra em processo de recuperação judicial (a Justiça desenha alternativas para o enfrentamento das dificuldades econômicas e financeiras da empresa devedora).

Com o agravamento da situação da aérea, em 2006, os credores da empresa decidem contratar a consultoria Alvarez & Marsal para conduzir o processo de reestruturação da empresa.

A partir do segundo trimestre deste ano, a aérea cancela e atrasa centenas de vôos com o agravamento da crise. Os passageiros foram aos poucos deslocados para companhias concorrentes, que começaram a endossar bilhetes da aérea.

A assembléia de credores da Varig aprovou em maio a venda da companhia em leilão no mês de julho. Para atrair investidores, a companhia é dividida em Varig Operacional, sem dívidas, e Varig Relacionamento, que herdaria os débitos e permaneceria em recuperação judicial.

No entanto, para manter a aérea funcionando até a realização do leilão, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ofereceu R$ 166,6 milhões para investidores interessados em capitalizar a empresa. As três propostas apresentadas ao banco foram recusadas e o leilão foi antecipado para 8 de junho.

Leilão
No leilão de junho, a companhia é arrematada pelo consórcio NV Participações, único a fazer ofertas. O consórcio optou por comprar a empresa de forma integral, mas ainda precisava da aprovação da Justiça do Rio de Janeiro para concluir a negociação.

Em 23 de junho, porém, o juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, decide cancelar o leilão, depois de a NV Participações admitir não ter os US$ 75 milhões exigidos para investir imediatamente na empresa.

Posteriormente, a Volo do Brasil, que comprou a ex-subsidiária da Varig Log, apresenta proposta de US$ 485 milhões pela aérea e injeta US$ 20 milhões no decorrer das negociações. Um segundo leilão é marcado para o dia 20 de julho, quando a companhia é arrematada por US$ 24 milhões. O evento apenas oficializou a proposta, já que nenhum outro investidor se apresentou.

Depois do arremate, a Varig Log continuou injetando recursos na aérea, que gradualmente passou a normalizar seus serviços. No entanto, em 28 de julho, o novo proprietário anunciou a demissão de 5,5 mil funcionários de seu quadro no País.

Os problemas da aérea, que pareciam estar perto do fim após o leilão, continuaram depois que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu retomar hotrans (autorizações de vôo), slots (espaços de pouso e decolagem) e freqüências não utilizadas pela Varig para redistribuí-los entre a concorrência. No entanto, a Justiça do Rio de Janeiro, responsável pelo processo de reestruturação da aérea, moveu uma ação para congelar o repasse, que não foi feito até hoje.

Agora, a Nova Varig espera receber no mês de dezembro o certificado de empresa de transporte aéreo (Cheta), emitido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Só assim a companhia poderá operar vôos com sua própria concessão e, posteriormente, contratar parte dos funcionários demitidos.

Futuro
Atualmente, a Varig opera com a concessão da Varig antiga, que permanece em recuperação judicial e que mudou de nome para Nordeste. A empresa informou que, após receber o Cheta, pretende aumentar sua frota das autuais 15 aeronaves para 31.

A Anac informou que em setembro a participação da Varig no mercado doméstico quase dobrou em comparação a agosto de 2005, de 2,21% para 4,30%. A ocupação dos aviões da empresa subiu de 42% para 55% no mesmo intervalo após a aquisição da empresa pela Varig Log.
 
Redação Terra

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