| Agência Brasil |
 O banqueiro Daniel Dantas foi indiciado por formação de quadrilha |
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Um escândalo de espionagem empresarial fez com que a disputa pelo controle da operadora de telefonia Brasil Telecom virasse assunto de polícia e respingasse até no alto escalão do governo federal. Descoberto e divulgado em 2004, o caso levou em 2005 à destituição da administração da empresa e ao indiciamento da sua presidente, Carla Cico, e do banqueiro Daniel Dantas.
Uma operação da Polícia Federal expôs a briga travada entre o grupo Opportunity, administrador da Brasil Telecom, e a Telecom Itália, acionista, pelo poder dentro da operadora brasileira. A investigação encontrou indícios de que Carla Cico, presidente da empresa por indicação do Opportunity de Daniel Dantas, havia contratado a multinacional Kroll para acompanhar todas as atividades da rival italiana - trabalho que chegou a incluir cópias de e-mails do então ministro da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken.
O resultado da ação policial foi o indiciamento de Cico e Dantas, em abril desse ano, por formação de quadrilha, corrupção e divulgação de segredo. No mesmo mês, a Justiça e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) decidiram que o Opportunity deveria ser afastado do comando da Brasil Telecom, determinação cumprida pela assembléia da operadora em setembro. Todos os conselheiros ligados ao grupo de Dantas deixaram o quadro da empresa, assim como Carla Cico.
Assumiram a presidência e a vice-presidência, respectivamente, um representante do Citigroup e um dos fundos de pensão, acionistas da operadora desde a sua criação a partir da privatização do sistema Telebrás, em 1998. Mais um abalo para Dantas, que havia sido convocado, poucos dias antes, para depor diante dos parlamentares das CPIs dos Correios e do Mensalão. Ele teve de explicar depósitos feitos pelo Opportunity em contas do empresário mineiro Marcos Valério, apontado com operador do pagamento de mesadas a deputados e senadores pelo governo.
Em novembro, foi a vez de Carla Cico esclarecer os contratos que fechou com Marcos Valério à CPI dos Correios, e revelar detalhes da operação com a Kroll. Segundo a ex-presidente da Brasil Telecom, a multinacional de investigação prestou serviços à operadora durante 30 meses (de 2003 a meados de 2005), numa conta total que ultrapassou R$ 15 milhões.
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