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Se o primeiro semestre de 2005 foi de alta na taxa básica de juros da economia brasileira, o País viu, nos últimos seis meses, o início de um novo período de queda na Selic. O afrouxamento, no entanto, foi mais lento que o aperto: com medo da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa em doses homeopáticas até chegar aos 18% em dezembro, provocando protestos de setores da indústria, comércio e dos trabalhadores.
Apesar de ter controlado os preços ao consumidor - a inflação oficial, medida pelo índice IPCA, deve terminar o ano pouco acima da meta estabelecida pelo Banco Central, de 5,1% -, a política de juros altos teve influência negativa no crescimento da economia brasileira. Segundo dados do IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,2% no terceiro trimestre, atrapalhando a expectativa do governo de repetir em 2005 o crescimento apurado no ano anterior.
A taxa de juros atingiu o ponto mais baixo em agosto de 2004, com 16% ao ano. Por nove reuniões consecutivas, o Banco Central aumentou a Selic, que chegou a 19,75% em junho deste ano. Na reunião de novembro, o Banco Central deu pistas do caminho que os juros devem seguir em 2006: a queda será lenta e gradual, como já vem acontecendo desde agosto. Nas últimas quatro reuniões, foram três quedas de meio ponto e uma queda de 0,25 ponto.
Na ata de novembro, o Copom deu a entender que continuaria acompanhando "atentamente" a evolução da inflação, "de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação até o momento sejam permanentes". Isso tirou dos economistas a impressão de que, para eliminar o "freio" imposto à produção e investimento, a Selic teria queda maior em dezembro.
A expectativa se confirmou: o corte do mês seguinte foi novamente de 0,5 ponto, e a Selic encerrou 2005 aos 18% ao ano. Mas, desta vez, a decisão não foi unânime. Dois dos oito membros do Copom votaram por uma taxa de 17,75%. Sinal de que o mercado não será otimista demais se esperar por reduções mais profundas na Selic em 2006.
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