Divulgada a primeira imagem
de rosto transplantado
A cirurgia foi liderada por Jean-Michel Dubernard, especialista de um hospital de Lyon, e Bernard Devauchelle, de Amiens. O transplante foi efetuado a partir da doação de uma mulher com morte cerebral encefálica, após autorização prévia de sua família. Segundo o hospital, o estado de saúde da mulher, após a operação, era excelente.
Para evitar o risco de rejeição, a paciente foi submetida a um forte tratamento imunológico e recebeu infiltrações de células da medula óssea da doadora. Segundo os médicos, a mulher foi devidamente informada de todos os riscos que enfrentava por tratar-se de uma intervenção pioneira, inclusive da possibilidade de desenvolver câncer. A operação é considerada uma cirurgia eletiva, ou seja, que garante maior qualidade de vida - diferentemente de transplantes de rins, fígado e coração, necessários para a preservação da vida.
O primeiro transplante parcial de rosto criou esperanças para muitas pessoas desfiguradas por acidentes e queimaduras, mas despertou questões éticas e psicológicas para os pacientes e a família dos doadores. A suspeita de que a mulher transplantada sofria de depressão por causa do acidente suscitou críticas da comunidade científica, que teme que uma pessoa psicologicamente frágil não possa enfrentar as mudanças proporcionadas pelo transplante.