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Brasil
Aviação: mudança radical nos ares do Brasil
 
O ano de 2005 foi de troca das cartas na aviação brasileira. Perderam espaço as figuras mais tradicionais Vasp e Varig, enquanto as novas companhias de "baixo custo, baixa tarifa", lideradas pela Gol, se destacaram.

A Vasp ficou perto da falência logo em janeiro, quando dívidas trabalhistas e com fornecedores provocaram o cancelamento de vôos. Sem condições de operar de forma regular, a companhia do empresário paulista Vagner Canhedo teve o direito de voar suspenso pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) no final do mês. Por causa dos salários atrasados, os bens dos diretores da Vasp foram penhorados pela Justiça.

A situação da Varig é um pouco mais confortável, já que a empresa continua operando - apesar de possuir uma dívida total de mais de R$ 10 bilhões.

Mas o futuro da companhia ainda é incerto. Uma proposta da portuguesa TAP pelas subsidiárias de logística e transportes da Varig acabou preterida diante da oferta de US$ 112 milhões feita pelo grupo Docas Investimentos em dezembro. Como a Varig passa por recuperação judicial, credores, Justiça e Departamento de Aviação Civil (DAC) ainda terão de aprovar a proposta da Docas, propriedade de Nelson Tanure, dono dos jornais Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil.

As negociações não apagaram o desempenho da Varig no mercado brasileiro de aviação. Nos vôos domésticos, a empresa foi ultrapassada pela Gol, que assumiu a segunda colocação no ranking nacional. De acordo com dados do DAC de outubro, a participação da empresa no mercado foi de 25,1%, contra 28,7% da Gol. A TAM segue líder, com 43,8% de participação.

Os problemas de gestão financeira também se refletiram na organização da empresa: em 2005, o grupo trocou o comando do conselho de administração por três vezes. Em agosto, uma empresa norte-americana de leasing ameaçou tomar 11 aviões da Varig por falta de pagamento do aluguel das máquinas. O caso foi levado à Justiça nos EUA e só foi resolvido quando o BNDES concordou em cobrir parte do rombo deixado pela aérea brasileira.

"Nanicas"
Enquanto as ex-gigantes minguavam, novas empresas viram na aviação brasileira espaço para o crescimento. A Gol consolidou-se como a principal empresa de "baixo custo, baixa tarifa" do País, superando a marca de 25% de participação no mercado de vôos domésticos.

A exclusividade da Gol no ramo das tarifas baixas, no entanto, desapareceu. O DAC concedeu licença para que grupos como BRA, Webjet e Pantanal vendessem passagens para vôos regulares. Além disso, aéreas regionais tornaram-se nacionais: caso da nordestina OceanAir, que passou a operar também em São Paulo e Rio de Janeiro.


 

Redação Terra