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Esportes
Árbitro entrega resultados e embaralha o futebol brasileiro
 
Marcelo Ferrelli/Gazeta Press/Especial para Terra
Edilson Pereira de Carvalho leva tapa de corintiano ao sair da prisão
Edilson Pereira de Carvalho leva tapa de corintiano ao sair da prisão
Edilson Pereira de Carvalho manchou mais do que sua carreira ao aceitar a proposta de apostadores para manipular resultados de jogos do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores e do Campeonato Paulista. Em um esquema que envolveu outro árbitro da Federação Paulista de Futebol (FPF), Paulo José Danelon, o futebol nacional teve sua credibilidade jogada para escanteio no mês de outubro, enquanto torcedores, dirigentes e jogadores viravam coadjuvantes das liminares e ofícios dos tribunais esportivos que mudaram a ordem dos torneios.

  • Revista denuncia suposta fraude no Brasileiro

    Algemado na porta de casa, Edilson Pereira de Carvalho foi levado para a Polícia Federal e passou a contar como funcionava o esquema de corrupção da arbitragem. Em troca de R$ 10 mil por partida fraudada, o árbitro tinha de fazer com que o time no qual os apostadores haviam investido saísse de campo com a vitória. Os aliciadores dos árbitros lucravam com apostas feitas em sites ilegais, que usam os jogos do Campeonato Brasileiro como base para a jogatina.

    Um dos apostadores também foi preso pela Polícia Federal e solto após prestar depoimento. Nagib Fayad, o Gibão, alegou ser um viciado em jogos, mas disse que só perdeu dinheiro com o esquema armado para lucrar com as apostas.

    No dia 2 de outubro, uma semana após o desmantelamento da quadrilha de fraudadores do futebol brasileiro, Luiz Zveiter, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), anunciou que todas as 11 partidas arbitradas por Edilson Pereira de Carvalho no Campeonato Brasileiro estavam canceladas e seriam disputadas novamente. A decisão não valia, porém, para o Nacional da Série B, no qual também havia ocorrido manipulação de resultados, mas cujo sistema de disputas (diferente do de pontos corridos) não permitiria que os jogos fossem realizados novamente.

    A FPF, entidade à qual estavam filiados Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon, também não foi capaz de tomar uma decisão sobre o que fazer com os jogos em que os dois árbitros atuaram. Uma comissão foi montada para investigar se houve indícios de corrupção dentro de campo, mas nenhuma conclusão foi anunciada pelo tribunal esportivo do Estado.

    As decisões tomadas fora de campo afetaram diretamente o Campeonato Brasileiro, um dos mais disputados da história. O Corinthians, que teve duas partidas apitadas por Edilson Pereira de Carvalho, conseguiu se preparar para a reedição de dois clássicos nos quais havia sido derrotado - contra São Paulo e Santos. Empatou a primeira, venceu a segunda e passou a desfrutar de uma vantagem com a qual não cogitava.

    Por ironia, foi um torcedor corintiano, revoltado com o esquema de corrupção montado por árbitros e apostadores, que acertou um tapa em Edilson Pereira de Carvalho quando o juiz deixou a prisão na Superintendência da Polícia Federal, na madrugada do de 29 de setembro.


     

  • Redação Terra