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 A "partida pela Paz" alegrou o público haitiano, em Porto Príncipe |
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Uma goleada por 6 a 0 da Seleção Brasileira sempre anima torcedores e cria nos atletas a expectativa de ganhar lugar cativo na equipe. No entanto, o placar foi o que menos importou na vitória sobre o Haiti, dia 18 de agosto, em Porto Príncipe.
A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil enfrentou a equipe haitiana para ajudar a força de paz que o governo brasileiro enviou para o país da América Central.
O Haiti vive uma crise política desde que o presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto por rebeldes, em fevereiro. No mês de junho, uma força das Nações Unidas, comandada por 1,2 mil soldados brasileiros, assumiu o controle das operações de paz iniciadas pelos EUA.
Mas naquele 18 de agosto o Haiti parou para assistir ao desfile de astros brasileiros, como Ronaldo, que conseguiu arrancar sorriso de pessoas tão carentes. O atacante do Real Madrid foi um dos primeiros a aceitar participar da partida. "Para ajudar a interromper uma guerra, eu estaria à disposição de qualquer governo", disse o jogador, ao saber da oficialização do jogo.
A presença de Ronaldo deixou os haitianos em festa. Muitos dos rebeldes estavam dispostos a trocar armas por ingressos. Porém, a idéia não foi adiante, pois as autoridades locais temiam premiar a milícia com tal iniciativa.
Por questões de segurança, a Seleção ficou hospedada em Santo Domingo, na República Dominicana, país vizinho ao Haiti, e seguiu para Porto Príncipe minutos antes da partida. O trajeto do Brasil até o estádio Sylvio Cator foi feito em tanques de guerra. Ronaldo e Ronaldinho, os mais assediados, acenavam para a multidão nas ruas. E viam, nos rostos de adultos e crianças, uma satisfação imensurável.
Dentro de campo, o Brasil não teve problema para derrotar o Haiti. A vitória por 6 a 0, sem grande esforço por parte dos jogadores, refletiu a diferença entre as duas seleções.
A partida, entretanto, causou uma dor de cabeça para o técnico Carlos Alberto Parreira. O Milan não liberou Dida, Cafu e Kaká, e o Bayern de Munique barrou as idas de Zé Roberto e Lúcio. Como represália, o treinador, que também não viu grande esforço dos cinco jogadores para reverter a situação, os deixou de fora da partida contra a Bolívia, pelas eliminatórias.
Os jogadores voltaram a ser chamados para os jogos contra Venezuela e Colômbia e hoje têm novamente lugar cativo na Seleção, mas perderam a oportunidade de participar de uma das partidas mais importantes da história da Seleção. E perderam, também, a chance de ver sorrisos tão sinceros dos haitianos.
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