> Notícias > Retrospectiva 2004  > Esportes
Esportes
Com futebol, Brasil fez o Haiti sorrir
 
AP
A partida pela Paz alegrou o público haitiano, em Porto Príncipe
A "partida pela Paz" alegrou o público haitiano, em Porto Príncipe
Veja também:
Saiba mais
» Morte de Serginho comoveu o mundo esportivo
» Vanderlei Cordeiro curte fama após drama olímpico
» Atenas: a Olimpíada volta para casa em 2004
» Com futebol, Brasil fez o Haiti sorrir
» Em 2004, Seleção ganhou Adriano e a Copa América
» Dez anos depois, o Brasil lembra morte de Senna
» F-1 é novamente dominada pelo mito Schumacher
» Em crise, tênis cai para 3ª divisão da Copa Davis
Uma goleada por 6 a 0 da Seleção Brasileira sempre anima torcedores e cria nos atletas a expectativa de ganhar lugar cativo na equipe. No entanto, o placar foi o que menos importou na vitória sobre o Haiti, dia 18 de agosto, em Porto Príncipe.

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil enfrentou a equipe haitiana para ajudar a força de paz que o governo brasileiro enviou para o país da América Central.

O Haiti vive uma crise política desde que o presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto por rebeldes, em fevereiro. No mês de junho, uma força das Nações Unidas, comandada por 1,2 mil soldados brasileiros, assumiu o controle das operações de paz iniciadas pelos EUA.

Mas naquele 18 de agosto o Haiti parou para assistir ao desfile de astros brasileiros, como Ronaldo, que conseguiu arrancar sorriso de pessoas tão carentes. O atacante do Real Madrid foi um dos primeiros a aceitar participar da partida. "Para ajudar a interromper uma guerra, eu estaria à disposição de qualquer governo", disse o jogador, ao saber da oficialização do jogo.

A presença de Ronaldo deixou os haitianos em festa. Muitos dos rebeldes estavam dispostos a trocar armas por ingressos. Porém, a idéia não foi adiante, pois as autoridades locais temiam premiar a milícia com tal iniciativa.

Por questões de segurança, a Seleção ficou hospedada em Santo Domingo, na República Dominicana, país vizinho ao Haiti, e seguiu para Porto Príncipe minutos antes da partida. O trajeto do Brasil até o estádio Sylvio Cator foi feito em tanques de guerra. Ronaldo e Ronaldinho, os mais assediados, acenavam para a multidão nas ruas. E viam, nos rostos de adultos e crianças, uma satisfação imensurável.

Dentro de campo, o Brasil não teve problema para derrotar o Haiti. A vitória por 6 a 0, sem grande esforço por parte dos jogadores, refletiu a diferença entre as duas seleções.

A partida, entretanto, causou uma dor de cabeça para o técnico Carlos Alberto Parreira. O Milan não liberou Dida, Cafu e Kaká, e o Bayern de Munique barrou as idas de Zé Roberto e Lúcio. Como represália, o treinador, que também não viu grande esforço dos cinco jogadores para reverter a situação, os deixou de fora da partida contra a Bolívia, pelas eliminatórias.

Os jogadores voltaram a ser chamados para os jogos contra Venezuela e Colômbia e hoje têm novamente lugar cativo na Seleção, mas perderam a oportunidade de participar de uma das partidas mais importantes da história da Seleção. E perderam, também, a chance de ver sorrisos tão sinceros dos haitianos.
 

Redação Terra