Veja fotos dos destaques do ano
Com Fahrenheit 11/9 (veja o trailer), Moore bateu todos os recordes de bilheteria para um documentário (os anteriores também eram dele, com Tiros em Columbine), levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e virou um fenômeno de marketing mundial sem data para acabar, já que, logo após a eleição, o diretor anunciou que fará uma seqüência do filme.
Se Fahrenheit 11/9 extrapolou os limites do cinema e detonou uma reação geral no panorama político mundial, reação semelhante teve no mundo religioso e filosófico o ator e diretor Mel Gibson ao lançar o seu Paixão de Cristo (veja o trailer), sobre as últimas 12 horas da vida terrena de Jesus Cristo. Acusado de anti-semitismo, o filme foi proibido em alguns países, dividiu religiosos de todo o mundo e causou uma forte reação no público, inclusive mortes por infarto e até assassinatos cometidos por seus espectadores.
O ano de 2004 também ficará marcado pelo reconhecimento - por muitos considerado tardio - a O Senhor dos Anéis. Dirigido pelo neozelandês Peter Jackson, O Retorno do Rei (veja o trailer), terceiro e último filme da trilogia, baseada na obra de J.R.R. Tolkien, abocanhou 11 estatuetas no Oscar 2004, depois da Academia ignorar os dois primeiros longas, As Duas Torres e A Sociedade do Anel.
Além do desfecho de O Senhor dos Anéis, três seqüências também tiveram destaque durante o ano: Homem-Aranha 2 (veja o trailer), Shrek 2 (veja o trailer) e os dois Kill Bill (veja o trailer), de Quentin Tarantino. Aclamada pela crítica, a seqüência de Homem-Aranha, do diretor Sam Raimi, custou US$ 200 milhões, mas só nos primeiros seis dias de estréia nos EUA arrecadou US$ 180,1 milhões e quebrou o recorde anterior, que pertencia a Matrix Reloaded (US$ 146,9 milhões).
Já o segundo Shrek, do estúdio Dreamworks, que mostrou a vida do ogro e de sua mulher Fiona após o casamento, foi ainda mais longe e virou o filme de animação mais lucrativo de todos os tempos, superando o recorde de Procurando Nemo.
O ano também viu o retorno de Quentin Tarantino. Os fãs do diretor de Pulp Fiction puderam rever o estilo marcante do diretor na saga da Noiva interpretada por Uma Thurman em Kill Bill, que acabou sendo dividido em dois por ter ficado muito longo. O filme - sobretudo o primeiro - recebeu muitas críticas pelo seu teor considerado violento, mas não deixou de faturar alto nos cinemas e com a venda de DVDs em todo o mundo. Com o sucesso, o diretor anunciou que considera a idéia de um terceiro Kill Bill.
Brasil
Para o cinema brasileiro, este ano começou com uma surpresa. Ou melhor, quatro: rejeitado pela Academia no ano anterior, Cidade de Deus (veja o trailer) foi indicado ao Oscar 2004 nas categorias Melhor Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição e Direção. Apesar de não ter levado nenhuma, as indicações voltaram a atenção do mundo para o filme, que só nos EUA reestreou em 500 salas de cinema no circuito comercial.
Outro brasileiro que tem o que comemorar ao final de 2004 é Walter Salles, que dirigiu Diários de Motocicleta (veja o trailer). O longa, protagonizado por Gael García Bernal, foi produzido por Robert Redford e lançado com prestígio no Festival de Sundance. Apesar de não ter sido selecionado para o Oscar 2005 - fato criticado pela imprensa americana - o filme conquistou diversos prêmios internacionais e está entre os 10 mais vistos nos EUA no ano.
Na pele do lendário Che Guevara em Diários, o mexicano Gael García Bernal foi outro destaque de 2004. Além de rodar o mundo divulgando o filme - sendo elogiado pela imprensa e causando histeria entre o público feminino -, o ator também estrelou neste ano Má Educação, mais recente produção de Pedro Almodóvar.
Se 2003 foi o ano de Rodrigo Santoro em Hollywood, este foi o de Gisele Bündchen. A top model brasileira estreou nas telonas em Táxi (veja o trailer), comédia do diretor Tim Story. Ao lado da atriz Queen Latifah, Gisele não falou muito, mas mostrou suas famosas curvas na pele de Vanessa, líder de uma quadrilha de supermodelos assaltantes de bancos.
O diretor de TV Jayme Monjardim também não esquecerá 2004 tão cedo. O ano marcou sua estréia nas telonas e os resultados não poderiam ser melhores: Olga (veja o trailer) ultrapassou a marca de três milhões de espectadores, figura na lista das dez maiores bilheterias do ano no Brasil e irá disputar uma vaga ao Oscar 2005 como Melhor Filme Estrangeiro.