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Diversão
O ano do vale-tudo na arte
 
Rogério Lorenzoni/Terra
Pichação na obra do cubano Jorge Pardo na Bienal
Pichação na obra do cubano Jorge Pardo na Bienal
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Vale tudo na arte. E o ano de 2004 valorizou essa nova forma de expressão artística. A palavra de ordem é interação, não importa de que forma. Foi assim, que na Bienal de Arte de São Paulo, vandalismo virou intervenção artística, e uma pichação virou parte da obra. Com entrada franca, para comemorar os 450 anos de São Paulo, logo no primeiro dia a instalação do cubano Jorge Pardo foi pichada com a palavra "Não".

O que poderia virar um sururu daqueles, foi diplomaticamente contornado pelo artista que declarou ter achodo o incidente "estranho e legal". No mais, a Bienal foi um sucesso de crítica e público. A mostra esteve em cartaz no pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera na região Sul de São Paulo.

O mesmo Ibirapuera foi palco de outra exposição de renome. Edemar Cid Ferreira (muito antes da intervenção do Banco Central), trouxe para o Brasil grandes obras de Picasso, e transformou a Oca na galeria do renomado artista espanhol em sua maior exposição já realizada. A mostra ficou em cartaz entra janeiro e maio e atraiu quase um milhão de pessoas que tiveram a oportunidade de apreciar 126 telas do maior pintor do século XX.

Se São Paulo foi da arte, o Rio de Janeiro foi das letras. A segunda edição da Feira Literária Internacional de Parati transformou a cidade histórica em capital mundial da literatura e reuniu em julho autores estrangeiros e brasileiros num belo encontro. De palestras do inglês Jonathan Coe a leitura de Chico Buarque, a Flip terminou já com planos para 2005: uma homenagem a Clarice Lispector.

A literatura brasileira ainda conheceu mais três imortais este ano. O poeta e ensaísta carioca Antônio Carlos Secchin foi eleito em junho para a Cadeira número 19 da Academia Brasileira de Letras, que pertencia a Marcos Almir Madeira. Em seguida foi a vez de José Murilo de Carvalho que recebeu as honraria da Cadeira número 5, que pertenceu a Rachel de Queiroz.

Mas o maior destaque que se juntou à Academia Brasileira de Letras foi o ex-presidente Marco Maciel. O vice-presidente do Governo FHC ocupa a cadeira de imortal deixada pelo empresário e jornalista Roberto Marinho que morreu em 2003. A cerimônia de posse de Maciel, ocorrida em maio, confundiu-se com um evento político de primeira grandeza.

No exterior quem chamou a atenção foi uma mulher. A austríaca Elfriede Jelinek foi a nona mulher a receber o Nobel de Literatura, que é entregue desde 1901. Humilde, Elfriede Jelinek declarou que ganhar o Nobel lhe causou mais medo que sentimento de honra. Declaradamente sociofóbica, Elfriede se recusou a comparecer ä cerimônia oficial de entrega do prêmio.

No hemisfério sul, foi um homem o escritor do ano. O centenário de Pablo Neruda foi celebrado em todos os países de língua latina, e a poesia do escritor chileno relembrada uma vez mais. No Chile, quatro toneladas de maçãs desenharam um coração gigantesco para homenagear o poeta que fez do amor sua musa inspiradora. Em tempos tão carentes de sentimentos puros, o centenário de Neruda nunca se fez tão necessário, e tão pertinente.
 

Redação Terra