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Brasil
Eleitor vota por mudanças e quebra tradições
 
Rogério Lorenzoni/Terra
José Serra (PSDB) foi eleito prefeito de São Paulo derrotando o PT
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Os prefeitos e vereadores eleitos nos 5.507 municípios brasileiros nas eleições de 2004 tomam posse em 1º de janeiro de 2005. As eleições municipais de 2004 foram as em que o povo sinalizou o desejo de mudança, com, por exemplo, a derrota do PT em Porto Alegre, depois de 16 anos de administração, em São Paulo, e a saída do PFL do poder em Salvador, após oito anos à frente da Prefeitura.

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    E foi, ainda, uma eleição com polêmicas, como a disputa judicial entre Lula e o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), alguns casos de violência e situações inusitadas. Foi, acima de tudo, como diz o clichê, a grande festa da democracia.

    O PMDB foi o partido que conquistou o maior número de prefeituras, com 1.059. No entanto, o PT conquistou o maior número de capitais, nove, e o PSDB levou cinco.

    Os principais resultados
    O Partido dos Trabalhadores sofreu a maior derrota em São Paulo ao perder a prefeitura de Marta Suplicy para o ex-ministro José Serra (PSDB). Mas não parou por aí. Em Porto Alegre (RS), o PT perdeu o pleito e encerrou o ciclo de 16 anos na administração. O prefeito eleito, José Fogaça (PPS), obteve apoio de 10 partidos no segundo turno das eleições. Além do PTB, que compunha a coligação "A cara da cidade, o nome da mudança", PAN, PDT, PFL, PHS, PMDB, PP, PRTB, PSDB, PSDC e PV se uniram na disputa contra o PT.

    Luizianne Lins (PT) contrariou as previsões e se elegeu prefeita de Fortaleza com considerável vantagem sobre o adversário de segundo turno Moroni Torgan (PFL). Logo que se lançou candidata, o próprio partido, o PT, a aconselhou a desistir da candidatura sob o argumento de que ela "não decolaria". A sigla chegou a criar um comitê para apoiar o candidato do PCdoB, Inácio Arruda.

    Os prefeitos do Rio, César Maia (PFL), e de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, garantiram a reeleição já no primeiro turno das eleições. Maia obteve pouco mais de 50% dos votos dos cariocas, e Pimentel, mais de 60% dos votos dos eleitores da capital mineira.

    Situado na oposição tanto no plano estadual (dominado pelo PFL), quanto na esfera federal (que tem o PT na Presidência), o deputado estadual João Henrique (PDT) foi eleito prefeito de Salvador. Filho de um ex-governador da Bahia aliado de Antonio Carlos Magalhães (PFL), durante seus três mandatos o pedetista ganhou popularidade ao ingressar na Justiça com ações contra a criação e o aumento de taxas e impostos. João Henrique divulgou com insistência essas medidas durante seu horário gratuito na TV.

    A ascendência do futuro prefeito é considerada uma derrota ao carlismo, que por oito anos dominou a política em Salvador, com a eleição de Antonio Imbassahy para prefeitura em 1996. "Infelizmente, Salvador vai sofrer muito. João Henrique não está preparado", afirmou o senador Antônio Carlos Magalhães.

    Presidente faz campanha
    Depois de participar da inauguração de uma obra pública em São Paulo e aproveitar a oportunidade para pedir votos para a então prefeita e candidata à reeleição, Marta Suplicy (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-SP) a pagar multa de R$ 50 mil.

    O recurso foi parar no Tribunal Superior Eleitoral, e o presidente se livrou da multa. Mas reconheceu ter cometido "excesso" e foi aconselhado a se manter "fora" das eleições.

    Eleições violentas

  • Tanto no primeiro, quanto no segundo turno das eleições municipais, homens das Forças Armadas foram deslocados para garantir segurança em cidades onde a disputa estava acirrada. O maior contingente foi enviado para municípios do norte e nordeste.

  • O publicitário Duda Mendonça foi detido durante uma operação da Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Federal para reprimir rinhas de galo em um clube de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Além do publicitário, foram detidos o vereador Jorge Babu (PT) e cerca de 200 pessoas. Duda e Babu foram levados à superintendência da Polícia Federal na Praça Mauá.

    Famoso por suas campanhas de marketing político, Duda Mendonça, trabalhou com Paulo Maluf e participou da campanha que levou Lula ao Palácio do Planalto. Quando detido, o publicitário comandava a campanha da prefeita Marta Suplicy à reeleição em São Paulo. E continuou até o fim da eleição.

    Eleições curiosas

  • Os eleitores da cidade de Flexeiras, distante 61 quilômetros de Maceió, receberam com grande surpresa o resultado das eleições no município. É que a candidata eleita vereadora, Arlene Cavalcante (PP), teve 100% dos votos válidos.

  • O candidato do PRP à Prefeitura de Japeri, Antônio Carlos Branco, não obteve nem mesmo sua própria confiança para a dirigir a cidade da Baixada Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. Branco não ganhou nenhum voto nas eleições.

  • A prefeita mais jovem do Brasil, a cearense Aline Veras dos Santos Silva (PSDB), que completou 21 anos de idade em novembro, recebeu 53,98% dos votos válidos (5.040) para administrar Barroquinha, um município litorâneo cearense, que fica na fronteira com o Piauí, distante 420 quilômetros de Fortaleza.

  • O morador de rua e catador de papelão, Otávio Rocha, 57, o Arruia, foi eleito vereador pelo PTN em Santa Bárbara d'Oeste (138 km de São Paulo) com 1.675 votos. Ele foi o terceiro mais votado da cidade, que tem 12 vagas na Câmara.

  • José Nogueira Tapety Sobrinho, mais conhecido como Kátia Tapety (PPS), de 45 anos, foi o primeiro vice-prefeito travesti eleito no Brasil. Vereador por três mandatos consecutivos, ele foi eleito na chapa de Lúcia de Moura Sá (PMDB), em Colônia do Piauí, a 350 quilômetros de Teresina.

  • A stripper Edivânia Matias Ferreira, de 21 anos, candidata do PTN à Câmara de Fortaleza, foi um dos candidatos mais votados da cidade nas eleições. Deborah Soft, como é conhecida, recebeu 11.590 votos (1,03%), elegendo-se com a oitava votação na cidade. O slogan da sua campanha era "Sem preconceito, vote com prazer".
     
  • Redação Terra