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Retrospectiva 2012
 
 

Fim do Megaupload deixa milhões de 'órfãos' na web

25 de dezembro de 2012 10h47

Fundador do Megaupload chega ao tribunal em Auckland com a mulher, Mona Schmitz. Foto: EFE

Fundador do Megaupload chega ao tribunal em Auckland com a mulher, Mona Schmitz
Foto: EFE

A noite de 19 de janeiro marcou o fim de um dos sites de compartilhamento mais populares da web: o Megaupload, fechado pelo FBI por integrar "uma enorme rede de pirataria virtual". Teve início então uma história que envolve confisco de bens, acusações de lavagem de dinheiro e espionagem, pontuada por carros de luxo, mansões e ataques de hackers.

O site, à época com cerca de 150 milhões de usuários registrados em todo o mundo - com os brasileiros em 2º lugar -, teria causado, segundo as autoridades norte- americanas, mais de US$ 500 milhões em perdas ao transgredir direitos de propriedade intelectual. O alemão Kim Schmitz, 37 anos, mais conhecido como Kim Dotcom, criador do Megaupload, e outros diretores do site foram presos. As autoridades confiscaram dos detidos e da empresa bens avaliados em US$ 4,8 milhões, além de US$ 8 milhões depositados em contas abertas em diversos bancos da Nova Zelândia, e os Estados Unidos pediram a extradição de Dotcom.

Kim Dotcom, um homem com 129 kg e quase 2 m de altura seria, de acordo com a imprensa local, uma das dez pessoas mais ricas da Nova Zelândia, considerado um apaixonado por carros de luxo, mulheres e mansões. A polícia inspecionou uma delas em Auckland, avaliada em US$ 30 milhões, na qual ele vivia com a família. Encontrou jóias, armas e até um Rolls Royce com placa "Deus" .

Preso, Dotcom teve seu pedido de liberdade condicional negado em duas ocasiões, até que um juiz do tribunal do distrito de North Shore enfim a concedeu, mas com uma série de condições, que incluiam vigilância eletrônica, não acessar a internet e não usar seu helicóptero. Mais tarde, ele ganhou um período diário para usar a piscina, acesso a web e a algum dinheiro de suas contas.

Sopa, Pipa e a reação
Logo após a queda do site de troca de arquivos, o grupo de hackers Anonymous iniciou a Operação Megaupload. Até a meia-noite, estavam fora do ar os sites do Departamento de Justiça, do FBI, da Riaa e o da Universal Music, entre outros, no que o grupo chamou de seu "maior ataque até então".

Essa reação na web não foi surpresa. No dia anterior ao fechamento, a Wikipedia, o Google e outros sites promoveram um apagão na internet em protesto a dois projetos de lei que estavam em discussão nos Estados Unidos, o Sopa - Stop Online Piracy Act , e o Pipa - Protect IP Act. Continuando a "Operação", o Anonymous publicou dados do chefe do FBI na web e tirou mais sites do ar.

Enquanto isso, os usuários do Megaupload sofriam com ameaças de que os dados nos servidores do site seriam completamente apagados. O Partido Pirata sugeria a quem tivesse dados particulares - e que portanto não feriam direito autoral algum - armazenados a processar o FBI, contando também com a ajuda da Electronic Frontier Foundation.

Em liberdade condicional, Dotcom seguiu lutando para reaver seus equipamentos eletrônicos e bens confiscados. Em uma audiência, ase negou a dar as senhas dos PCs apreendidos. Em junho, em um artigo, um juiz americano defendeu a devolução dos dados aos usuários, fazendo coro à Electronic Frontier Foundation.

Em julho, o parlamento europeu barrou com ampla maioria o Acordo Comercial Anticontrafação (Acta, na sigla em inglês), e Dotcom comemorou no Twitter: "SOPA está morto. PIPA está morto. ACTA está morto. MEGA irá voltar. Maior. Melhor. Mais rápido. Livre de taxas e blindado para ataques. Evolução!". Quatro dia depois de anunciar um retorno do site, a audiência do processo de extradição, marcada para agosto, foi adiada para 25 de março.. Dotcom propôs um acordo para ir voluntariamente aos EUA, em troca suas contas seriam descongeladas e ele teria liberdade condicional também em solo americano. Não conseguiu.

Dotcom, que já havia dito que o vice-presidente americano, Joe Biden, foi quem ordenou o fim do Megaupload, também afirmou, em agosto, que polícia o espancara ao prendê-lo em janeiro. Durante as investigações, foi verificado que a agência de espionagem neozelandesa fez investigações ilegais sobre Dotcom, o que causou um pedido de desculpas por parte do primeiro-ministro.

Mega: uma nova revolução
Dotcom já estava preparando um novo serviço de download, o Megabox. A ideia era vender faixas diretamente dos artístas para o público, "desacorrentando os consumidores da indústria fonográfica". Um negócio legal mas que contorne as leis norte-americanos sob as quais ele está sendo processado, com lançamento em janeiro de 2013.

Em novembro, o anúncio oficial do novo serviço: Mega. O primeiro domínio, me.ga, não foi possível. Então, o Mega será mesmo hospedado na Nova Zelândia.

Enquanto aguarda a audiência sobre sua extradição, Dotcom se dedica a vários projetos. Além do Mega, ele propôs um plano para oferecer internet grátis a lares da Nova Zelândia, país no qual tem residência oficial há um ano, com o dinheiro que ganhar processando os Estados Unidos e as empresas de mídia.

Terra