Na saída, filas tomaram conta da área do Acampamento, onde pessoas ainda dormiam
Foto: Fernando Borges/Terra
- Rafael Maia
- Direto de São Paulo
Em 2011, a Campus Party veio para se afirmar como o maior encontro geek do Brasil. Se, por um lado, a meta parece ter sido atingida, por outro, percebeu-se que ser o maior e o melhor não é uma tarefa fácil. A 4ª edição do evento enfrentou uma série de problemas, alguns previsíveis, e outros que nem mesmo o melhor vidente poderia imaginar.
As filas eram intermináveis: era fila para beber água, para sair, para entrar, para falar com o palestrante, para concorrer a prêmio, para tomar banho e até para pegar pipoca. A maior parte delas era enfrentada sem o menor desgaste pelos participantes. Quem não entraria em uma "filazinha" para pegar um autógrafo de Steve Wozniak, o cofundador da Apple? Ou suportaria uma para pegar o microfone e fazer uma pergunta para o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore?
Porém, em nome da segurança, a agilidade ficou em segundo plano. A organização aumentou em 500 vagas o espaço para campuseiros, mas não alterou a estrutura de verificação de crachás, necessária para toda vez que alguém resolvesse andar pelo Centro de Exposições. Durante a cerimônia de abertura da Campus, na segunda-feira, na presença de autoridades do governo federal e do Estado de São Paulo, o diretor do evento, Mário Teza, pediu desculpas aos campuseiros pelas filas enfrentadas para o cadastramento e entrada na área de acampamento
Nenhum problema de fila, no entanto, foi páreo para o "apagão" da Campus Party. Era terça-feira, dia 19, final de tarde, quando as luzes do evento se apagaram. A edição brasileira do maior encontro geek do planeta ficou cerca de uma hora no escuro, ao som do protesto de milhares de campuseiros. Com a queda da energia, a internet funcional, disponibilizada nas mesas de todo o pavilhão Arena, ficou fora do ar. Segundo informações dos organizadores, a Campus Party dispunha somente de dois geradores. Na madrugada de quarta-feira, no entanto, dez outros foram comprados. Na quinta-feira, um forte temporal deixou parte da cidade de São Paulo na escuridão. Dessa vez, os geradores funcionaram.
O pavilhão tinha agora energia, mas a estrutura do local não impediu que os fortes ventos levassem a chuva para dentro do pavilhão Arena. Nascia outro problema. Computadores precisaram ser tirados da tomada e cobertos para proteção contra a água. As palestras que aconteciam encostadas às paredes do pavilhão foram canceladas ou adiadas. Por cerca de 30 minutos, choveu dentro da Campus Party.
Não raras vezes, o diretor da Campus Party Brasil trabalhou como uma espécie de apresentador de programa de auditório. Com muito jogo de cintura, precisou dar aos campuseiros explicações que iam desde a força da natureza até o tipo de construção de que consistia a estrutura do Centro de Exposições Imigrantes. No sábado, no encerramento do evento, disse "essa foi a Campus Party da superação".
O futuro da maior festa geek do Brasil
Segundo Paco Ragageles, um dos fundadores da Campus Party no mundo, existe a vontade de expandir ainda mais o encontro. Dessa vez, o desejo é levá-lo para outras cidades do País, com a realização simultânea de mais de uma edição no mesmo ano. Houve a promessa de abrir uma votação no site oficial para perguntar o que queria o público brasileiro nas próximas edições do evento.
Quando, no último dia, foi preciso empacotar os computadores, as amizades e tudo que se aprendeu durante os sete dias de evento, não foram poucos os campuseiros que disseram estar com o coração apertado. "O bacana daqui é que, muitas vezes, a gente aprende mais nesses dias do que em um semestre da faculdade", disse Bruna Bagetti, 21 anos, de Recife.
- Terra






















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