Depois de 33 anos no comando da Microsoft, Bill Gates resolveu se despedir
Em 2008, quatro das maiores empresas de tecnologia do mundo ocuparam assiduamente as manchetes na imprensa, sacudindo também o setor de TI e o mercado de ações. Microsoft, Apple, Google e Yahoo protagonizaram um ano marcado por uma sucessão de acordos polêmicos, acusações antitruste e holofotes sobre seus personagens principais: Bill Gates deixou o comando da empresa; a saúde de Steve Jobs voltou a ser notícia com obituário publicado por engano; Sergey Brin tornou pública sua predisposição genética a uma doença degenerativa, e Jerry Yang anunciou que deixa o cargo de presidente-executivo.
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Entra e sai
Depois de 33 anos no comando da Microsoft, Bill Gates entregou em junho o cargo de presidente-executivo a Steve Ballmer para se dedicar à filantropia e a projetos pessoais. Aos 52 anos, com uma fortuna estimada em US$ 50 bilhões, o co-fundador da gigante do software inicia uma nova fase, e a imprensa americana já especula sobre sua nova - e ainda misteriosa - companhia, chamada bgC3.
Outra mudança que marcou este ano é a de Jerry Yang, anunciada em novembro. Ele abandonará o cargo de presidente-executivo do Yahoo assim que um sucessor for definido, para retornar então ao seu posto de "Yahoo chefe", a posição estratégica que ele detinha antes dos 18 turbulentos meses em que comandou a empresa.
Mas mesmo antes que o novo presidente do Yahoo seja selecionado, a companhia tem uma decisão ainda mais importante a tomar, na opinião de analistas: ela precisa decidir se quer continuar independente e combater o Google no crucial segmento das buscas na Internet, ou se finalmente cederá aos apelos da Microsoft.
"Esta é minha pressão arterial"
Afastada da novela de negociações, a Apple não escapou de abalos que afetaram o valor de suas ações e assustaram investidores. A principal preocupação foi a saúde de Steve Jobs, co-fundador e presidente da empresa. Partindo do histórico médico do executivo - que inclui um câncer pancreático removido em 2004 - as especulações começaram em junho, quando ele apareceu mais magro que de costume no lançamento do iPhone 3G.
Em agosto, uma enorme gafe: uma agência de notícias publicou por engano o obituário de Jobs - que, por sinal, ainda está entre nós. Dois meses depois, um boato espalhado na web por um adolescente: ele estaria hospitalizado devido a um ataque cardíaco.
A saída para enfrentar os rumores foi o bom humor. Ao apresentar os novos MacBooks, em outubro, Steve Jobs antecipou-se a qualquer pergunta: "110/70, essa é minha pressão arterial. E isso é tudo que se vai falar sobre a saúde de Steve hoje. Se quiserem vê-la subir, é só fazer mais perguntas a respeito".
Se o presidente da Apple preferiu manter sua privacidade, o co-fundador do Google Sergey Brin declarou em setembro que tem uma alteração genética que aumenta as chances de que ele desenvolva o Mal de Parkinson, uma doença degenerativa do cérebro. Ele afirmou também que fará o possível para apoiar pesquisas sobre a doença.
Não se pode ter tudo
O fim da Era Gates deixa alguns desafios para a Microsoft. A pressão do comando da maior produtora de software do mundo, por exemplo, só vai aumentar depois da tentativa frustrada de adquirir o Yahoo.
Desde janeiro a Microsoft vinha tentando um acordo com o Yahoo, fosse uma fusão, a compra da divisão de buscas ou uma parceria na divisão de receitas. A saga se estendeu por meses, cercada de rumores e influenciando o sobe e desce de ações das duas empresas. O Yahoo rejeitou todas as propostas e foi parar nos braços do maior rival da Microsoft: o Google.
O acordo de publicidade entre Google e Yahoo, firmado em junho, enfrentou a oposição do setor publicitário e investigações antitruste pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, arrastando-se em meio a avaliações e reformulações até a desistência do Google em novembro.
Com o fim da parceria, a novela Microsoft-Yahoo foi retomada. Por enquanto, tudo é muito vago, com declarações esparsas e uma série de rumores, mas parece que as duas empresas continuarão sua conversa em 2009.