NotíciasRetrospectiva2008Ciência e Tecnologia

 

Ciência e Tecnologia

Ciência avança no combate ao câncer de mama

Getty Images A luta contra o câncer de mama, uma das principais causas de morte de mulheres em todo o mundo, ganhou novos contornos em 2008 A luta contra o câncer de mama, uma das principais causas de morte de mulheres em todo o mundo, ganhou novos contornos em 2008

Seja na busca pelas causas da doença, seja nas pesquisas que objetivam combatê-la, a luta contra o câncer de mama, uma das principais causas de morte de mulheres em todo o mundo, ganhou novos contornos em 2008. Em relação à doença, pesquisas foram realizadas na tentativa de identificar os defeitos genéticos que elevam o risco do câncer e na perspectiva de encontrar formas de combater as metástases. Além disso, estudos conseguiram relacionar comportamentos das pessoas com fatores de risco.

» Veja vídeo sobre novidades da medicina
» Descoberto gene que causa metástase
» Câncer de mama: vacina é testada com sucesso
» Criado teste barato para detectar câncer de mama
» Aspirina pode reduzir câncer de mama

No mês de setembro, um grupo de pesquisadores da Wayne State University testou com sucesso uma vacina contra um tipo de câncer de mama em ratos. O tipo de tumor em questão é agressivo e afeta de 20% a 30% das pacientes com a doença.

Através da aplicação de impulsos elétricos, os pesquisadores introduziram o gene que produz a proteína HER2 (cujo o excesso é causador do câncer) nos músculos das patas dos ratos, junto com um estimulante do sistema imunológico. Uma vez ali, a quantidade de proteína HER2 disparava, gerando a reação do sistema imunológico do animal para combater o sinal de câncer.

Por outro lado, para aumentar a reação natural do animal contra o câncer, os pesquisadores usaram um agente supressor da atividade das células T reguladoras, que impedem que o sistema imune responda em excesso. Quando os cientistas implantaram este tipo de tumores nos ratos tratados com a vacina, os animais foram capazes de eliminá-los totalmente e sem apresentar qualquer efeito adverso.

Outra descoberta importante foi divulgada em janeiro, pela revista Nature. Um artigo revelava que a atividade de duas moléculas de RNA (ácido ribonucleico) presentes em células de câncer de mama impediria que a doença se estendesse a ossos e pulmões. O estudo demonstrou que as moléculas de microRNA reduzem o tumor e evitam a sua migração. Porém, o pesquisador espanhol Joan Massagué fez a ressalva que as moléculas poderiam ser atacadas pelas células cancerígenas que se desenvolvem como tumor metastásico.

Ainda na tentativa de combater a doença, em junho, a revista científica Oncogene publicou um estudo de cientistas da Universidade de Navarra, na Espanha, no qual foram identificados cinco genes ligados à metástase de tumores de mama para o pulmão. Para o oncologista Ignácio Gil, a descoberta fornece "dados chave para o conhecimento do câncer e sua disseminação", ao mesmo tempo em que "identifica novos alvos contra os quais podem ser criados remédios que contribuam para um tratamento mais eficaz desta doença".

Outras pesquisas foram realizadas tendo como foco a prevenção do tumor de mama. Das respostas obtidas, destaca-se a relação entre exercícios pesados realizados por mulheres que já passaram pela menopausa com a redução do risco de desenvolver o câncer. Estudos também apontaram que pessoas com enxaqueca têm menos propensão à doença, assim como quem dorme pouco tem mais chance de desenvolver o tumor.

Porém, não foram apenas as mulheres que tiveram boas notícias da ciência no ano de 2008 (embora o câncer de mama não seja uma doença exclusiva do sexo feminino). Em julho, cientistas britânicos afirmaram ter testado com sucesso um novo medicamento contra o câncer de próstata, que está sendo considerado o maior avanço no combate à doença dos último 70 anos.

Segundo a equipe, até o momento, os tratamentos contra câncer de próstata se concentravam no bloqueio da produção da testosterona, hormônio sexual produzido nos testículos. No entanto, os cientistas descobriram que outros hormônios, inclusive o produzido pelo próprio tumor, também contribuem para seu crescimento e disseminação. O novo remédio age bloqueando vários hormônios sexuais produzidos por diferentes partes do corpo masculino.

O estudo, divulgado na publicação científica Journal of Clinical Oncology, realizou experimentos com 21 pacientes de câncer de próstata avançado. Dois anos e meio mais tarde, os especialistas verificaram uma redução significativa do tumor e uma queda nos níveis de uma proteína maléfica produzida pelo câncer.

Em relação ao câncer infantil, duas pesquisas podem ser destacadas. Em novembro, Cientistas da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, fizeram um importante avanço na pesquisa sobre tumores cerebrais em crianças. A equipe descobriu uma alteração de DNA presente em dois terços dos casos do tipo de tumor mais comum entre pessoas de cinco a 19 anos de idade, o astrocitoma pilocítico. A descoberta pode tornar o diagnóstico dos tumores mais preciso e levar ao desenvolvimento de novos tratamentos, segundo os pesquisadores.

Além disso, um estudo realizado com duas gêmeas britânicas de quatro anos de idade identificou uma célula irregular que causa leucemia infantil. A descoberta pode levar a tratamentos mais específicos e menos intensivos para todas as crianças com esse tipo de câncer originado nos tecidos que produzem o sangue, na medula óssea.

Outros avanços relacionados ao câncer foram alcançados. Em novembro, uma equipe de cientistas da Universidade de Washington decodificaram pela primeira vez o genoma completo de uma paciente com câncer e traçaram as mutações genéticas na origem da doença. Na Itália, em outubro, cientistas descobriram que as células-tronco tumorais são as responsáveis pelas metástases do câncer e, portanto, podem ser a chave de sua cura.

"Descobrimos que as células-tronco tumorais, apesar de constituírem 1% ou 2% da população do total das células tumorais, são as mais importantes do ponto de vista da agressividade, determinando as metástases e reaparições do câncer", comenta Ruggero De Maria, oncologista Instituto Superior de Saúde (ISS) e da Universidade La Sapienza de Roma. Os pesquisadores italianos, em colaboração com cientistas americanos, analisam o comportamento das células-tronco tumorais para averiguar que medicamentos podem ser mais efetivos para conseguir curar os tumores, inclusive, sem necessidade de intervenção cirúrgica.

Esperança contra o HIV
Descobertas científicas também deixaram esperançosos pesquisadores que estudam formas de combater o vírus da aids. No mês de novembro, por exemplo, cientistas da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos afirmam ter conseguido criar células em laboratório capazes de neutralizar um dos mais bem sucedidos mecanismos de defesa do vírus HIV - sua capacidade de mutação rápida.

De acordo com estudo divulgado na revista Nature Medicine, as células do sistema imunológico podem se prender ao HIV, causador da aids, mesmo depois de ele sofrer uma mutação para tentar "despistá-las". Espera-se que o estudo possa levar a uma forma mais eficaz de combater a infecção do vírus HIV.

Nos Estados Unidos, uma equipe de cientistas da Escola de Medicina da Universidade do Texas encontrou o ponto fraco do HIV em uma parte da proteína que o recobre, essencial para seu desenvolvimento nas células que ataca. A equipe médica foi capaz de fragmentar a proteína e destruir a parte que atua como "cérebro", uma seqüência de aminoácidos que permanece invariável, apesar das mutações as quais o vírus é submetido, o que seria muito útil no tratamento e prevenção da doença.

Em novembro, um caso incomum ocorreu com um paciente norte-americano soropositivo e com leucemia. O homem teve que se submeter a um transplante de medula óssea para combater o câncer, mas, após a cirurgia, o vírus da aids se tornou indetectável. O hospital de Berlim que realizou o transplante, porém, disse que o caso é "interessante", mas "isolado" e não deve suscitar falsas esperanças.

Entre os doadores potenciais, se encontrava uma pessoa portadora de uma mutação genética já conhecida pelos cientistas, mas ainda inexplicada. Esta particularidade, uma mutação do receptor CCR5 do vírus, está presente em 1% a 3% da população européia e parece dar aos indivíduos portadores uma imunidade ao HIV. De acordo com o médico Gero Hütter, membro da equipe berlinense, o "procedimento não é adequado ao tratamento de pacientes portadores do vírus, nem hoje nem num futuro próximo".

Cientistas criam gel para regenerar o coração
Pesquisadores israelenses disseram, em 2008, ter desenvolvido um gel à base de algas que pode regenerar tecidos do coração danificados após um ataque cardíaco. A equipe, da Universidade de Ben Gurion, explicou que o produto age sobre o tecido cicatrizado que se forma depois de um ataque originado pela falta de oxigênio, que "mata" parte do músculo cardíaco.

Segundo os especialistas, uma vez danificada, a região nunca volta a se regenerar e no lugar do tecido sadio se forma um tecido cicatrizado. O tecido cicatrizado é, em geral, mais fino do que o normal, o que leva o coração a trabalhar mais para bombear o sangue, abrindo caminho para novos problemas, como arritmia cardíaca ou futuros ataques.

O gel, entretanto, não foi a única ousadia dos cientistas em relação ao corpo humano. Em janeiro, pela primeira vez na Europa, um hospital de Barcelona implantou uma mão biônica em uma menina de 12 anos. A mão biônica possibilita que a menina movimente e dobre os dedos de maneira muito similar à feita por uma mão humana.

Também na Espanha, em junho, a Organização Nacional de Transplantes (ONT) do país autorizou o primeiro transplante de rosto no país. Por enquanto, o transplante de rosto aconteceria só na parte inferior da face, abaixo dos globos oculares já que a região dos olhos é difícil de ser operada e há chances do paciente perder a visão caso ocorra alguma incompatibilidade ou infecção.



Redação Terra