O aquecimento ameaça sobrevivência da tuatara, réptil que conviveu com os dinossauros
O ano de 2008 foi marcado pelo anúncio de mais espécies que correm o risco de se extinguir do planeta devido à caça ilegal, ao desmatamento e ao aumento da temperatura global. Entre os animais divulgados esse ano, destacam-se a baleia branca, anunciada pelo governo americano como integrante da lista em outubro, e o urso polar do Alasca, incluído nas estatísticas do governo dos Estados Unidos em maio.
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O aumento da temperatura global também pode ser responsável por extinguir mais da metade das maiores colônias de pingüins da Antártica, segundo um levantamento divulgado em outubro. De acordo com um estudo do Congresso Mundial de Preservação, em Barcelona, na Espanha, caso a temperatura global suba mais de 2°C, metade da população do pingüim-imperador e 75% das colônias do pingüim de Adélia estarão comprometidas.
No Brasil, os dados também não são muito otimistas. Em um levantamento inédito, o IBGE mapeou os animais invertebrados que correm o risco de extinção no País. Do total de 130 espécies ameaçadas, 96 são insetos, como abelhas, besouros, formigas, borboletas, libélulas e mariposas, e as outras 34 são invertebrados terrestres, como aranhas, caracóis e minhocas. O levantamento foi divulgado em junho.
Entre os animais que também correm o risco de desaparecer do planeta destacam-se ainda a tuatara, a última espécie de répteis representante da família Sphenodontidae, que conviveu com os dinossauros, e a espécie de macaco kipunji, descoberta há apenas três anos na Tanzânia.
Novas espécies
O ano que passou foi marcado por polêmicas não só entre as espécies que correm o risco de deixar de existir, mas entre as novas também. Em julho, foi divulgado que o professor primário americano Jeff Goodhartz havia pago US$ 5 mil para que uma nova espécie de anelídeo fosse batizada com o nome Goodhartz, o goodhartzorum. Jeff é solteiro e não tem filhos.
Também foram oficializados como novas espécies um tipo de lagarto sem patas encontrado no Cerrado brasileiro em outubro e uma espécie de peixe de água doce que foi vista pela primeira vez nadando em uma mina de urânio, em fevereiro. Nem o lagarto nem o peixe tiveram seus nomes comprados.
Em 2008, também foi apresentado o maior inseto do mundo. Trata-se de uma nova espécie de bicho-pau, descoberta na região da ilha de Bornéu que pertence à Malásia. O animal mede aproximadamente 56 cm e foi apresentado pelo Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido. Apenas outros três exemplares da espécie foram identificados.
Animais raros
Ouriços e filhotes de leões brancos, um gato dourado, peixes siameses e jacarés albinos foram alguns dos animais no mínimo atípicos localizados este ano. Rinocerontes brancos, negros e o rinoceronte-de-java também receberam destaque entre as publicações científicas por se tratarem de animais raros. Este último pode ser encontrado em apenas dois parques na ilha indonesa.
Em maio, cientistas conseguiram filmar pela primeira vez os rinocerontes-de-java com uma câmera escondida. Mas, ao ver o equipamento de gravação, a fêmea, que estava acompanhada pelo filhote, atacou o material, que voou longe. Os rinocerontes-de-java também correm risco de extinção.
Knut e sua "namorada"
Depois de ter sido abandonado pela mãe, virado celebridade, estampado selos e ter sido tema de um filme, em 2008 o urso polar Knut engordou, ficou adulto e caiu no esquecimento da imprensa. O animal completou, em dezembro, dois anos.
O ano de 2008 definitivamente não foi fácil para Knut, que vive no Zoológico de Berlim. Em setembro, seu tratador, Thomas Dorflein, teve um ataque cardíaco e morreu. Um dos funcionários do parque declarou que o animal não tinha consciência de que era um urso polar e pensava que Dorflein, que cuidou dele desde a infância, era seu pai.
Quem assumiu o posto de "celebridade animal" deixado por Knut foi a ursinha Flock, do zoológico de Nuremberg, que tem uma história parecida com seu parente alemão: é um filhote de urso polar brincalhão, simpático e abandonado pela mãe. A imprensa chegou a chamar os dois ursos de "namorados", mas o relacionamento não chegou a engatar. Flock nasceu em janeiro, pouco depois de um ano do nascimento de Knut.
Outros "famosos"
A versão brasileira de Knut e Flock foi o casal de girafas Zagallo e Beija-Céu, do zoológico do Rio de Janeiro. O macho do casal veio de São Paulo em março, com o objetivo de se reproduzir com Beija-Céu. Depois de passar mais de um mês "namorando" com uma cerca entre eles, a dupla se "casou" em abril, em um evento com direito a bolo para os visitantes.