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Ciência e Tecnologia

Cientistas descobrem água em Marte

The New York Times No dia 30 de julho de 2008, a Nasa anunciou que a sonda Phoenix havia tocado uma amostra de água em Marte No dia 30 de julho de 2008, a Nasa anunciou que a sonda Phoenix havia tocado uma amostra de água em Marte

O dia 30 de julho de 2008 foi uma data importante para a astronomia. Em um comunicado à imprensa, a Nasa, agência espacial americana, anunciou que a sonda Phoenix havia tocado uma amostra de água em Marte. "Temos água", disse o cientista William Boynton, da Universidade de Arizona, ao depositar uma amostra do material em instrumentos especiais que detectaram a existência de vapores de água.

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Em 2002, já havia sido localizado gelo no planeta, mas pesquisadores não sabiam afirmar, à época, se tratava-se de água em estado ou sólido ou uma variação de dióxido de carbono ou outro material. Há dois anos, um estudo baseado em fotografias da superfície do planeta havia detectado indícios da existência do líquido na superfície de Marte, mas a água em si não havia sido localizada.

Dois estudos controversos divulgados pouco antes do anúncio da Nasa foram pautados por esse tema. Em maio, quando a Phoenix começava seu trabalho em Marte, o pesquisador Nicholas Tosca, do Departamento de Biologia de Organismos e Evolução na Universidade de Harvard, divulgou uma análise feita em minerais possivelmente formados pela evaporação de água. As amostras foram recolhidas em rochas e, de acordo com o resultado da pesquisa, apresentavam salinidade e acidez muito altas.

Tosca afirmou, à época, que as amostras apontavam que já havia existido água líquida ácida e salina na superfície do planeta de tal forma a impedir a sobrevivência de organismos terrestres. Segundo o pesquisador, os animais e vegetais conhecidos "têm limites (de aceitação de salinidade e acidez) claramente definidos". O anúncio, entretanto, foi feito antes da descoberta das amostras de água no local.

Já a própria agência espacial americana divulgou outro levantamento em junho desse ano, desta vez baseado no solo do planeta. As amostras recolhidas mostravam um solo muito mais alcalino que o previsto, mas ainda sim com nutrientes suficientes a ponto de permitir a existência de vida no local.

A descoberta de um ambiente propício a abrigar vidas também foi feita em uma das luas de Saturno em novembro desse ano. A situação, no entanto, é bem mais complexa que a marciana. A uma temperatura de -180º Celsius, Titã é fria demais para abrigar qualquer coisa próxima à vida como conhecemos, segundo cientistas.

Mas novos estudos reportam fracos sinais de um campo eletromagnético natural na grossa nuvem que a cobre. Esse campo é similar à energia irradiada por relâmpagos na Terra. Como acredita-se que foram os relâmpagos que desencadearam as reações químicas que iniciaram a vida em nosso planeta, essas evidências mostram um ambiente propício ao surgimento de vidas.

De planeta a plutóide
Enquanto cogita-se a possibilidade de existência de vida em Marte, Plutão, que havia sido rebaixado da categoria de planeta em 2006, passou a se chamar plutóide esse ano. A definição serve para corpos que orbitam o Sol além de Netuno. Entre os pré-requisitos, eles precisam ter forma esférica e não podem ter varrido outros corpos menores de suas órbitas. A nomenclatura foi dada pelo comitê-executivo da União Astronômica Internacional em junho.

Hubble
Em 2008, o telescópio espacial Hubble completou 18 anos de explorações e 100 mil voltas ao redor da Terra. Um dos mais antigos telescópios em atividade, Hubble chegou a sofrer uma paralisia esse ano. Os instrumentos científicos do aparelho ficaram em atividade restrita por mais de um mês em função de um grave problema técnico. A Nasa chegou a reprogramar o sistema auxiliar do telescópio (lado b), nunca antes utilizado desde seu lançamento, em 1990.

Hubble voltou a funcionar com seu sistema principal em outubro, ao transmitir imagens de um conjunto de galáxias distante mais de 400 milhões de anos-luz da Terra.

Mas foi a sonda Phoenix, responsável pela descoberta de água em Marte, que não resistiu e deixou de funcionar no fim do ano. Depois de cinco meses em atividade no solo marciano, os responsáveis pelo projeto anunciaram que as baterias da sonda deixaram de funcionar em novembro.

Descobertas
O ano foi marcado também pela primeira observação astronômica da formação de um planeta. Em janeiro, uma equipe de astrônomos do instituto Max-Planck de Astronomia em Heidelberg, na Alemanha, detectou a formação do corpo celeste no interior do disco de poeira e de gás. O novo planeta é conhecido como exoplaneta porque não orbita ao redor do Sol, mas em torno de uma jovem estrela com idade entre 8 e 10 milhões de anos.

Em 2008, astrônomos americanos também descobriram, através dos telescópios espaciais Hubble e Spitzer, o que pode ser uma das galáxias mais distantes já vistas por telescópios. A formação, chamada A1689-zD1, foi constituída há mais de 12,8 bilhões de anos.

O espaço em imagens
Belas imagens de galáxias extintas, avalanches e luas foram feitas por astrônomos e telescópios em 2008. Em março, a Nasa divulgou as primeiras imagens de avalanches em Marte, capturadas por uma sonda americana em órbita no planeta vermelho. As fotografias mostram nuvens de cor castanha-clara saindo debaixo de uma grande ladeira depois das avalanches de gelo e pó.

No dia 7 de outubro, a nave especial americana Messenger transmitiu centenas de fotos de Mercúrio depois de encerrar a segunda visita ao planeta mais próximo ao sol. As imagens mostraram aos cientistas paisagens do planeta nunca antes vistas.

Nesse mesmo mês, um astrônomo americano conseguiu captar, com uma câmera do telescópio espacial Hubble, as primeiras fotografias ópticas de um exoplaneta. As imagens mostram com detalhes o corpo celeste, situado a 25 anos-luz do Sistema Solar. Essas fotografias tentavam ser captadas por cientistas há oito anos.



Redação Terra