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O embaixador Celso Amorim foi o negociador brasileiro durante os debates sobre a Rodada Doha
Iniciada em 2001 com o objetivo de criar regras para facilitar o comércio internacional, a Rodada de Doha teve mais um capítulo em 2008. Inicialmente programada para ser concluída em 2005, a negociação teve nova reunião ministerial no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) este ano que, mais uma vez, acabou sem acordo.
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As negociações pela rodada foram realizadas em julho na sede da OMC, em Genebra, na Suíça. Com discordâncias em matérias como abertura de mercados para produtos agrícolas e industriais, além de serviços, os 35 países mais representativos do órgão se reuniram durante nove dias, a partir do dia 21, e não chegaram a um consenso.
O principal estopim para o fracasso da negociação foi no setor agrícola. A conclusão do acordo fracassou por conta de um sistema de salvaguardas que era proposto por Índia e China para proteger sua agricultura de subsistência de possíveis saltos na importação de alimentos, o que não foi aceito pelos Estados Unidos.
Por outro lado, o fim dos subsídios agrícolas por parte das nações desenvolvidas e o acesso sem restrições dos emergentes a ao mercado agrícola dos países ricos era um dos pontos de embate nas negociações.
O início da reunião foi conturbado. Dois dias antes do início das discussões o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, afirmou que os países ricos deturpavam as conversas realizadas na rodada em uma tática que "lembrava Goebbels", o ministro da propaganda nazista. A declaração ofendeu a representante comercial americana, que era filha de um sobrevivente do Holocausto.
Logo após o primeiro dia de reunião o chanceler brasileiro também esquentou a discussão, com a declaração de que o início das negociações fora "totalmente inútil", sem novidades e sem novas idéias.
Ao longo das conversas, os Estados Unidos chegaram a propor uma redução no limite máximo de seus subsídios agrícolas para US$ 14,5 bilhões por ano. Mesmo assim, apesar de o valor ser um terço do teto atual, ele é o dobro dos gastos do país na época, o que ainda desagradou alguns emergentes.
Pelo lado dos emergentes, com apoio do Brasil, os países do G20 também cederam, de forma moderada, na questão da inserção dos produtos industriais dos desenvolvidos em seus mercados.
O posicionamento do País, que chegou a reunião sem consenso com os outras nações do Mercosul, chegou a causar rusgas com a vizinha Argentina, que era favorável a mais proteção aos seus mercados industriais. A paz entre os dois parceiros só seria selada no mês seguinte, com uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à colega argentina Cristina Kirchner.
No entanto o fracasso foi selado com as discordâncias entre EUA, Índia e China. Logo após o término da reunião, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, afirmou que o fim das negociações se deveu a "mesquinharias" dos países mais inflexíveis na discussão - criticando os três principais envolvidos na paralisia do acordo.
Após a reunião, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy - dono da proposta que norteou as discussões de 2008 - afirmou que dificilmente a Rodada de Doha seria retomada no curto prazo. Já o chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou que previa um período de quatro anos para a retomada das discussões.