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Mais de 2 mil pessoas morreram durante o confronto
Conflitos armados geraram tensão e mortes em diversas partes do planeta durante o ano de 2008. No mais grave deles, na região do Cáucaso, a disputa entre a Ossétia do Sul, apoiada pela Rússia, e a Geórgia, uma ex-república soviética, deixou mais de 2 mil mortos e reabriu feridas em uma região instável desde o desmantelamento da URSS, em 1989. Disputas políticas também alimentaram choques no Zimbábue e no Tibete.
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Considerado um dos pilares do mundo pela mitologia grega, a região do Cáucaso atraiu a atenção da comunidade internacional neste ano. Motivada por diferenças étnicas, a Ossétia do Sul, que tem 3,9 mil km² e 70 mil habitantes de ascendência persa que buscam independência da Geórgia, rejeitou uma proposta de compartilhar o poder, em abril, e insistiu na separação total e união à Rússia. Quatro meses depois, o exército da Geórgia, disposto a manter a unidade do país e conter a revolta, realizou incursões militares na cidade de Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul.
Com o objetivo de defender o território que tem grande identificação com a cultura russa, Moscou enviou tropas para a região e retaliou a Geórgia com bombardeios em Tbilisi, capital do país. A iniciativa ossétia com apoio russo motivou a Abkházia, outro território georgiano que também lutava pela independência, a se posicionar contra o poder central.
O cenário de guerra estava armado. De um lado, Geórgia recebeu apoio da Otan, principalmente através dos EUA, que condenaram os ataques russos e exigiram o fim do conflito. Do outro, Ossétia do Sul e Abkházia ganharam força para conquistar a independência total com a ajuda do grande poderio militar russo.
A possibilidade de uma nova polarização mundial entre ocidente e oriente, como ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, chamou a atenção da comunidade internacional para o confronto. Na ocasião, o presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou: "A Rússia não tem medo de nada, nem de uma nova Guerra Fria".
Em setembro, após quase um mês de confrontos armados na região, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que exerce a presidência rotativa da União Européia (UE), visitou Moscou e Tbilisi para negociar, com sucesso, um cessar-fogo. A Rússia retirou as tropas de postos avançados, mas manteve o exército no território da Ossétia do Sul. No entanto, não foram registrados novos confrontos.
O saldo final do conflito foi de pelo menos 1.692 ossétios mortos devido aos bombardeios da Geórgia, segunda a agência Interfax. Do outro lado, a chamada "agressão russa" vitimou 372 pessoas, sendo 188 civis, segundo o governo local.
Com o cessar-fogo, as regiões rebeldes ganharam maior autonomia da Geórgia. Por outro lado, apenas a Rússia e a Nicarágua reconheceram oficialmente a independência da Ossétia do Sul e da a Abkházia. A União Européia trata o assunto com cautela e assegura os direitos territoriais da Geórgia.
Zimbábue
Em um processo eleitoral repleto de irregularidades, de acordo com observadores internacionais, o atual presidente Robert Mugabe foi reeleito no Zimbábue. Aos 84 anos e desde 1980 no comando do país africano, ele foi acusado de fraudar os resultados do primeiro turno da votação, em março, que teria apontado a vitória do opositor, Morgan Tsvagirai. Segundo Mugabe, o adversário não teria conquistado a maioria absoluta dos votos para ser declarado o vencedor.
Os indícios de fraude na contagem dos votos levaram o país a enfrentar uma onda de manifestações que deixou pelo menos 90 mortos, além de centenas de presos políticos. Por temer o surgimento de uma guerra civil no país, Tsvagirai desistiu de disputar o segundo turno das eleições.
Após o anúncio, Mugabe acusou o partido opositor de ser o responsável pela onda de violência e disse, em um comício, que "somente Deus" o tiraria do poder e que nunca aceitaria um país governado pelo partido opositor. Em junho, Mugabe foi oficialmente declarado reeleito para mais cinco anos de governo.
Tibete
Outra região que foi palco de manifestações reprimidas que resultaram em mortes foi o Tibete. Sob o domínio chinês desde 1959, quando os comunistas anexaram o território ao poder central de Pequim, a província de 1,2 milhões de km² luta por independência.
Neste ano, os cerca de 20 mil tibetanos exilados no Nepal, país aliado do governo chinês, realizaram intensas manifestações em Katmandu, capital do país. Por não permitir protestos, o governo prendeu temporariamente 10 mil pessoas até agosto, segundo estimativas da polícia. Os detidos foram soltos após um ou dois dias.
Porém, a situação mais grave pode não ter tido a devida repercussão na imprensa mundial. Os protestos de monges e civis em território tibetano teria deixado 135 mortos e mil feridos. No entanto, de acordo com um líder parlamentar, "muitas outras mortes não foram confirmadas", o que poderia elevar o número total de vítimas em até dez vezes.