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Confrontos violentos nas ruas de cidades bolivianas quase levaram o país à guerra civil
Eleito em dezembro de 2005 como o primeiro indígena a presidir a Bolívia, Evo Morales enfrentou uma crise política em 2008 que quase custou o seu madato. Em agosto, após violentos protestos nas ruas das principais cidades do país, ele foi submetido a um referendo popular que determinaria se o líder cocaleiro seguiria, ou não, no cargo. Com 67,41% dos votos favoráveis, Morales se garantiu como presidente boliviano e ganhou ainda mais força como comandante do país.
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No entanto, em maio deste ano, outro referendo causou um duro revés no governo de Morales. Mais de 80% da população da região de Santa Cruz, a mais povoada e a mais rica do país, votou a favor da autonomia do Departamento. O pleito foi considerado ilegal pela Corte Nacional Eleitoral e pelo governo de Morales.
A briga entre La Paz e Santa Cruz de la Sierra ultrapassou a política e ganhou as ruas. Por causa dos incidentes violentos que aconteceram durante as votações e que deixaram 35 feridos, Morales qualificou o pleito como um "fracasso". O prefeito de Santa Cruz de La Sierra, Percy Fernandez, disse, na ocasião, que o movimento "é uma grande luta por liberdade. A luta por libertação nunca é fácil".
A insatisfação de algumas regiões com o poder central chegou a produzir um dia de greve geral no departamento de Chuquisaca, no dia 29 de maio. Em Sucre, os manifestantes exigiam que Morales iniciasse as obras de construção de um novo aeroporto. Morales, qualificou a paralisação de "injustificada" e acusou opositores de "confabularem" contra ele.
No dia 1º de junho foi a vez dos Departamentos de Beni e Pando aprovarem, por meio de referendos, autonomia em relação ao governo de La Paz. A quarta região a realizar votação popular e também optar por uma maior independência em relação ao governo de Morales foi Tarija - um território pequeno, mas de grande importância estratégica por conter 85% das reservas de gás natural do país. Morales não reconheceu legalmente os resultados em nenhum dos locais.
Os governos desses Departamentos, controlados pela oposição, se opuseram aos planos do presidente para redistribuição da renda. Os simpatizantes de Morales, que são a minoria nessas regiões, boicotaram a votação.
Antes do referendo que decidiria pela manutenção do presidente no cargo, marcado para o dia 10 de agosto, conflitos entre partidários de Morales e opositores tomaram as ruas de todo o país. Violentos confrontos entre policiais e mineiros do povoado de Huanuni foram registrados na localidade de Caihuasi, a 200 km ao sudeste de La Paz, e deixaram dois mortos e 42 feridos, entre civis e soldados.
Com a confirmação de sua vitória na votação popular, Morales saiu fortalecido e ganhou legitimidade para seguir no comando do país, apesar de seguir enfrentando forte resistência nos quatro Departamentos que haviam aprovado maior autonomia. A votação deu fôlego para o presidente seguir com as reformas que, segundo ele, buscam uma melhor distribuição de renda no país.
O temor de uma guerra civil surgiu em setembro, quando pelo menos 17 pessoas morreram durante manifestações no Departamento de Pando. O governador da região, o opositor Leopoldo Fernández, foi responsabilizado pelo confronto, destituído do cargo e detido. Morales nomeou o almirante Rafael Bandeira como novo líder local.
No final do ano, Morales convocou reuniões com governadores rebeldes e aliados com o objetivo de obter apoio para aprovação da nova constituição do país. No entanto, a Bolívia ainda sofre com a instabilidade política que racha o país entre partidários e oposicionistas ao governo de Morales.