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Após 30 anos, Rally Dakar é cancelado e vê novo futuro

AFP Ameaça de violência cancela edição de 2008 e Rally é transferido para a América do Sul Ameaça de violência cancela edição de 2008 e Rally é transferido para a América do Sul

Um dia antes da largada oficial, em 4 de janeiro, os fãs de automobilismo em torno do mundo tiveram uma notícia estarrecedora. Pela primeira vez após 30 anos, o Rally Dakar (ex-Paris-Dakar) não foi realizado. Por motivos de segurança, a organização do evento resolveu não iniciar a edição 2008 do principal evento de rali do mundo.

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A falta de segurança no trecho em que o Rally Dakar passa pela Mauritânia (país no noroeste da África) foi a justificativa usada pelos organizadores para cancelar a prova.

Dias antes da decisão, alguns turistas franceses foram assassinados no local e supostamente haviam ameaças da rede terrorista Al Qaeda. Partidos extremistas do continente africano sempre criticaram o rali por exaltarem como cenário da prova uma imagem de pobreza, fome e epidemias.

A edição 2008 teria 6 mil quilômetros divididos em 15 etapas, sendo oito delas na Mauritânia. "Houve ameaças diretas contra a corrida por organizações terroristas", disse o comunicado divulgado pela organização e que pegou de surpresa todos os participantes (214 carros, 272 motos e 102 caminhões).

Os prejuízos com o cancelamento do Rally Dakar chegaram a cerca de R$ 129 milhões e renderam críticas públicas de alguns governos africanos. Entre eles, claro, a própria Mauritânia, que ameaçara romper ligações com a França. Os europeus haviam aconselhado seus cidadãos a não viajarem para o país africano, incluindo os pilotos do rali.

Como era esperado, montadoras e equipes promoteram abandonar o evento nas próximas edições, contrários não apenas ao cancelamento sem aviso prévio, mas também as constantes ameaças à segurança dos envolvidos. Até hoje foram 47 mortos em 29 edições realizadas.

Para amenizar as críticas, a organização mudará radicalmente em 2009. O evento será sediado na América do Sul, entre 3 e 18 de janeiro, contará com 9 mil quilômetro, 6 mil deles cronometrados, passará por Chile e Argentina e contará com largada e chegada em Buenos Aires.

Aproximadamente 80% do percurso será na Argentina, com passagens por La Pampa, Mendoza, Córdoba e Santa Fé. O Chile, por sua vez, será agraciado com etapas nos Andes, pouco antes do repouso na cidade de Valparaíso.

Na sequência, os competidores irão enfrentar o deserto do Atacama, que promete intenso calor. Uma das maiores preocupações dos organizadores é o público, que deverá ser muito maior que nas disputas realizadas na África.

Segundo a imprensa européia, o evento voltaria à África em 2010. Os organizadores estudam um novo percurso no continente e, para isso, já estariam exigindo garantias de segurança para os interessados. A princípio, teriam se candidatado Tunísia, Líbia e Egito.

A partir de agora, a última etapa do Rally Dakar deve ser recebida por uma cidade portuária para facilitar o transporte rápido dos atletas e dos veículos no final do evento.

Redação Terra