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Capitão Vinícius ergue taça, derruba hegemonia do rival e recoloca Brasil no topo após 12 anos
Não há lugar como o lar. Nunca a máxima popular esteve tão ligada à Seleção Brasileira de futsal em 2008. Aproveitando o fato de sediar a competição nesta temporada, a equipe do técnico Paulo César de Oliveira, o PC, superou a Espanha nos pênaltis, em decisão realizada no Maracanãzinho, e retomou a condição de melhor do mundo em uma modalidade onde o País está acostumado a mandar.
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Das nove edições de Mundial realizadas até aqui, entre Fifusa - a extinta Federação Internacional de Futebol de Salão - e Fifa, o Brasil não venceu em apenas três oportunidades. Vinha perdendo terreno justamente para os espanhóis, que desembarcaram como bicampeões e favoritos a uma nova conquista.
A campanha do Brasil mostrou que o País está de volta à boa forma. A Seleção caiu no Grupo A, teve 100% de aproveitamento, marcou 48 gols e sofreu apenas um nos quatro primeiros jogos realizados. O desempenho chamou a atenção dos rivais.
A Itália, formada totalmente por brasileiros e que estava no Grupo B, foi acusada de entregar o seu jogo derradeiro na primeira fase para o Paraguai. Perdeu por 4 a 2, classificando o rival como o melhor da chave e, desta forma, garantindo o duelo com os mandantes antes do mata-mata.
Nada foi julgado pela Fifa e a tática deu certo. Na segunda fase, brasileiros e seus "conterrâneos italianos", chamados de "oriundis", sobraram no Grupo E. Novamente os comandados de PC se sobressaíram e mantiveram a invencibilidade.
Os europeus tropeçaram para o Brasil, empataram com o Irã na última rodada e só se classificaram à semifinal devido a uma vitória sobre a Ucrânia, que lhe deu o saldo de gols necessário para superar os asiáticos.
Ao mesmo tempo que o Brasil deslanchava, a Espanha causava desconfiança. A equipe empatou na estréia diante do azarão Irã, mas se recuperou com outras três vitórias. Na segunda fase foi 100% de aproveitamento, dando um pouco mais de confiança. O jogo digno da seleção bicampeã veio na semifinal, contra os italianos.
Na repetição da última final do Mundial, quatro anos antes, em Taiwan, e do Campeonato Europeu, em 2007, as duas equipes fizeram um jogo disputado, com lances bruscos e divididas fortes.
O placar foi apertado em todo o tempo e chegou empatado por 2 a 2, até que, no último lance, com o cronômetro zerado, após um chute de Kike na trave, Foglia, o melhor dos italianos na competição, se atrapalhou ao tentar tirar o lance e jogou contra a própria meta.
Resultado: conturbada vitória espanhola, com direito a abandono de quadra pelos mesmos, festa do rival e até princípio de briga generalizada. O resultado foi confirmado pela arbitragem cerca de dez minutos depois, após uma reclusão nos vestiários.
O Brasil não passou o mesmo desespero diante da Rússia, mas nem por isso foi tranqüilo na decisão. Pelo contrário. O peso de enfrentar um adversário que ia à sua terceira final seguida foi grande.
Após um nervoso tempo normal, que terminou empatado por 2 a 2, a decisão foi para os pênaltis. Marquinho, Wilde, Ciço e Lenísio marcaram para o Brasil, mas Ari desperdiçou. Mesmo assim, Franklin, que entrou no lugar de Tiago só para os penais, defendeu as cobranças de Torras e Marcelo e sacramentou a conquista do hexa.
Mais do que recuperar a hegemonia, o título brasileiro finalmente coroa a carreira de Falcão. Principal jogador da modalidade, o atleta chamou a atenção pelos dribles e jogadas. Ganhou aplausos eufóricos da torcida e a revolta dos rivais, como os espanhóis, que criticaram publicamente o camisa 12, pela primeira vez campeão mundial. Só faltou a artilharia. Com 15 gols, restou um para alcançar Pula, brasileiro de nascimento, mas russo de camisa.
Redação Terra