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Farc enfraquecem e Betancourt ganha liberdade após seis anos

AFP A ex-refém franco-colombiana Ingrid Betancourt recebe um beijo da filha, Melanie, em Bogotá A ex-refém franco-colombiana Ingrid Betancourt recebe um beijo da filha, Melanie, em Bogotá

Após mais de seis anos em cativeiro, no dia 2 de julho, a franco-colombiana Ingrid Betancourt, 46 anos, foi resgatada da selva onde era mantida prisioneira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Além de Betancourt, seqüestrada pelas Farc em 23 de fevereiro de 2002, foram libertados três reféns americanos e 11 membros das Forças Armadas colombianas.

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A primeira informação sobre a libertação foi dada pelo ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. De acordo com ele, uma operação da inteligência militar chamada "Xeque" foi a responsável pelo resgate. Homens se infiltraram na frente 1 das Farc, que entregou os reféns a uma organização fictícia, que supostamente os levaria em um helicóptero ao encontro de Alfonso Cano, líder máximo da guerrilha desde maio último, após a morte do fundador do grupo, Pedro Antonio Marín, conhecido como Manuel Marulanda ou Tirofijo.

Depois que o vôo foi iniciado, supostos revolucionários renderam os guerrilheiros e anunciaram que, na verdade, eram soldados do exército e estavam libertando o grupo de cativos. "Somos o exército nacional. Vocês estão livres", foi a frase que ouviram, segundo informou mais tarde Ingrid Betancourt.

Logo após chegar a Bogotá, Betancourt foi recebida pela mãe, Yolanda Pulecio, e pelo marido, Juan Carlos Lecompte. No dia seguinte, a ex-refém reencontrou os filhos, Mélanie e Lorenzo, e o ex-marido, Fabrice Delloye, que a acompanharam na viagem para Paris. No dia 4 de julho, ela chegou a capital francesa, onde foi recepcionada por Nicolas Sarkozy, e por sua mulher, Carla Bruni. Na França, a ex-refém passou por exames médicos e recebeu diversas homenagens, entre elas uma parabenização do Senado francês e uma condecoração entregue por Sarkozy.

Suposto pagamento às Farc
Dois dias após a libertação dos reféns, o jornalista Frederich Blassel, da Radio Suisse Romanda (RSS), afirmou que um dos dois rebeldes capturados no resgate, conhecido como César, recebeu US$ 20 milhões para entregá-los ao exército colombiano. Segundo Blassel, sua fonte assegurou que os Estados Unidos patrocinaram o suposto pagamento ao guerrilheiro pelo fato de haver três reféns americanos entre os seqüestrados. No mesmo dia, o comandante das forças militares colombianas, general Freddy Padilla de León, negou qualquer pagamento para que os reféns fossem libertados.

Rojas, González e Lizcano
Cerca de seis meses antes do resgate de Betancourt, no dia 10 de janeiro, Clara Rojas e Consuelo González foram libertadas graças a um acordo mediado pela Venezuela. Rojas era candidata à vice-presidência da Colômbia e foi seqüestrada junto com Betancourt. González foi levada por um comando das Farc em 10 de setembro de 2001. Três dias depois da libertação, Rojas reencontrou o filho Emmanuel, concebido em cativeiro e de quem foi separada quando a criança tinha oito meses. O menino estava sob os cuidados do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF) desde meados de 2005.

No dia 26 de outubro foi resgatado o político que permaneceu mais tempo em poder das Farc. O ex-congressista Óscar Tulio Lizcano ficou mais de oito anos em poder da guerrilha que o levou a mais de 100 acampamentos diferentes. Lizcano, seqüestrado em 5 de agosto de 2000, fugiu com a ajuda do chefe do grupo das Farc que o vigiava, que buscava forças militares para se entregar. Após uma longa caminhada em condições de saúde deploráveis, eles encontraram homens do exército. Em seguida, o político foi internado em um centro médico de Cali.

Crise diplomática
Depois de uma prolongada crise diplomática com Equador, que iniciou com a invasão do país vizinho em uma operação contra as Farc, a popularidade do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, atingiu 91,72% após o resgate da ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt, de acordo com uma pesquisa divulgada em 4 de julho.

A discussão entre Colômbia e Equador começou logo após o assassinato de Raúl Reyes e outros 19 integrantes das Farc por forças colombianas, na madrugada de 1º de março, em território equatoriano. Álvaro Uribe pediu desculpas ao chefe de Estado equatoriano, Rafael Correa, devido à incursão no país vizinho, mas Correa não recebeu bem as palavras de Uribe e o criticou em rede nacional. Em seguida, retirou seu embaixador de Bogotá e ordenou a expulsão do embaixador colombiano em Quito, além de ter ordenado o reforço militar da fronteira.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, inimigo declarado de Uribe, entrou na briga e também ordenou o fechamento da embaixada da Venezuela em Bogotá e a mobilização de tropas rumo à fronteira comum para reforçar sua vigilância em "apoio" ao Equador. O clima só se tornou mais ameno no dia 7 de março, durante a Cúpula do Grupo do Rio, realizada na República Dominicana, quando Correa, Chávez e Uribe concordaram em encerrar a crise e selaram a paz com apertos de não.

Com a libertação de Betancourt, Chávez, pareceu deixar definitivamente de lado os permanentes altos e baixos diplomáticos com a Colômbia e, no dia 2 de julho, felicitou Uribe pelo resgate dos reféns. Além de fortalecer Álvaro Uribe, os resgates e libertações de reféns, os incentivos do governo colombiano para incorporar os guerrilheiros à sociedade colombiana, e as deserções e mortes de líderes importantes, como Tirofijo, evidenciaram o enfraquecimento das Farc ao longo do ano.



Redação Terra