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Austríaco que manteve filha presa por 24 anos choca o mundo

Reuters Josef Fritzl, 73 anos, manteve a filha presa no porão por 24 anos Josef Fritzl, 73 anos, manteve a filha presa no porão por 24 anos

Em 27 de abril foi descoberto o caso do austríaco que manteve a filha presa no porão de sua casa, na cidade de Amstetten, por 24 anos. Além de Elisabeth, Josef Fritzl, 73 anos, mantinha encarcerados três dos sete filhos que teve com ela. Outros três foram adotados pelo austríaco e por sua mulher, Rosemarie, e um morreu pouco depois do parto.

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O caso foi descoberto quando uma das filhas que estava presa adoeceu e teve de receber atendimento médico. Ao chegar ao hospital, Fritzl disse que tinha encontrado a garota inconsciente em frente a um edifício da cidade. Para diagnosticar o quadro clínico da jovem Kerstin, os médicos tentaram, em vão, entrar em contato com a mãe, Elisabeth Fritzl. Em conseqüência da procura, o seqüestro foi descoberto na noite de 26 de janeiro, quando o pai libertou os quatro antes de ser detido.

Elisabeth foi presa em 1984. Na época, o pai teria forçado a filha, então com 18 anos, a escrever uma carta dizendo que tinha fugido e que não a procurassem mais. No entanto, ela estava no porão da casa, onde foi violentada repetidas vezes, dando origem às gestações. Alexander, 12 anos, Monika, 14 anos e Lisa, 16 anos, foram criados por Fritzl e pela mulher, que acreditava que a filha deixava as crianças em sua porta. Kerstin, 19 anos, Stefan, 18 anos e Felix, 5 anos permaneceram com a mãe. A sétima criança morreu logo após o nascimento e teve o corpo incinerado por Fritzl.

Mais de um mês depois de internada, no dia 8 de junho, Kerstin deixou o coma ao qual tinha sido induzida e viu pela primeira vez a família inteira reunida. Ela foi submetida ao coma para que seus sinais vitais fossem estabilizados depois de correr risco de morrer. Os médicos disseram que ela sofreu uma falência generalizada de órgãos, mas não souberam precisar o que causou isso.

No dia 30 de outubro, o jornal Österreich e a revista News divulgaram trechos do relatório psiquiátrico de Fritzl, que confessou também ter mantido a mãe prisioneira até sua morte. Alegando ter sido maltratado pela mulher durante a infância, o aposentado austríaco admitiu que, após acolher a mãe em sua casa, em 1959, transformou-se em seu algoz. A mulher foi trancada no sótão, que teve as janelas fechadas com tijolos para que ela nunca mais visse a luz do sol, e ali viveu como prisioneira até morrer, em 1980.

No dia 13 de novembro, a Procuradoria de Viena anunciou que acusaria formalmente Josef Fritzl de assassinato, escravidão, estupro, reclusão, coação e incesto. A pena do austríaco pode chegar à prisão perpétua. As acusações não se referem apenas aos abusos contra Elisabeth, mas também contra os três filhos que foram mantidos no porão.

Na Argentina, outro homem admitiu ter mantido a filha prisioneira e abusado sexualmente dela. Em 20 de maio, a Justiça informou que Eleuterio Soria, 74 anos, foi condenado a 16 anos de prisão. Segundo a Justiça, a filha de Soria foi estuprada dos 11 aos 22 anos, e teve dois filhos, de 7 e 14 anos.

No dia 25 de novembro, um britânico acusado de estuprar suas duas filhas por quase 30 anos, engravidando-as 19 vezes, foi condenado à prisão perpétua. Ao todo, sete crianças nasceram dos abusos cometidos entre outubro de 1979 e fevereiro de 2008, quando as mulheres contaram o que acontecia a assistentes sociais.

Crimes pelo mundo
Além do caso Fritzl, a Áustria esteve no noticiário por outros crimes não menos hediondos. Em 14 de maio, um homem se entregou à polícia e confessou ter matado a mulher, a filha, os pais e o sogro, com golpes de machado. Em 2 de julho, Josef Branis, 66 anos, foi acusado de matar o irmão, a irmã e os cunhados após uma discussão sobre herança, na cidade austríaca de Strasshof.

No dia 12 de fevereiro, uma psicóloga foi morta em seu consultório, em Nova York, com golpes de cutelo e de uma faca. David Tarloff, que esteve internado em clínicas psiquiátrica 21 vezes antes do crime, foi acusado pela morte da médica Karin Faughey. No dia 8 de junho, Tomohiro Kato, 25 anos, matou sete pessoas no centro de Tóquio usando uma faca. Três dias depois, em 11 de setembro, mergulhadores encontram uma mala com restos de um corpo no rio Yarkon, em Tel Aviv. No dia seguinte, a polícia confirmou que se tratava de Rose Pizem, 4 anos, desaparecida desde maio. Seu avô e padrasto, Ronny Ron, 45 anos, chegou a confessar o assassinato, mas acabou voltando atrás na versão.

Em Washington, nos Estados Unidos, Isaac Zamora matou seis pessoas a tiros, feriu outras duas e provocou uma perseguição em alta velocidade, antes de se entregar à polícia, no dia 3 de setembro. Em Chicago, a família da atriz Jennifer Hudson foi atingida por uma tragédia no dia 24 de outubro. A mãe e um irmão dela foram encontrados mortos em sua casa. Julian King, 7 anos, sobrinho da atriz, também foi achado morto pouco depois, nas imediações. William Balfour, que teve um relacionamento amoroso com a irmã de Jennifer, foi preso suspeito de ter cometido os crimes.

No dia 7 de abril, a polícia do Estado americano do Texas retirou 416 crianças de um rancho, onde foi denunciada a prática de poligamia, e as colocou sob custódia do Estado. No local, meninas de até 13 anos eram obrigadas a manter relações sexuais com homens adultos. Em julho, Warren Jeffs, líder da seita, que já estava preso desde o ano passado, no Arizona, foi indiciado por abuso sexual de menores.

Massacres em escolas
No dia 8 de fevereiro, uma estudante de enfermagem entrou em uma sala de aula de uma universidade técnica em Baton Rouge, no Estado americano de Louisiana, atirou contra duas colegas e se suicidou. Apenas uma semana depois, um jovem armado abriu fogo contra estudantes da Universidade Northern Illinois. Quatro pessoas morreram no local, incluindo o atirador, e três no hospital.

Em 23 de setembro, 11 pessoas, entre elas o próprio assassino, morreram no massacre em um centro de formação profissionalizante da localidade de Kauhajoki, na Finlândia. Matti Juhani Saari, o autor do crime, morreu no hospital depois de tentar cometer suicídio. Duas horas antes do crime, Saari entrou no site YouTube e publicou vídeos com ameaças. Em 27 de outubro, duas pessoas foram mortas e uma terceira ficou ferida no campus de uma universidade do Arkansas, nos Estados Unidos, em decorrência de outro tiroteio.



Redação Terra