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O ex-deputado estadual Natalino Guimarães é preso em casa. Ele seria um dos líderes da milícia Liga da Justiça
No dia 14 de maio, uma equipe de repórteres do jornal O Dia que morou na favela do Batan, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, para investigar a atuação das milícias no local foi seqüestrada, torturada e mantida em cárcere privado em um barraco. Eles foram submetidos a interrogatório e socos, pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico, roleta-russa, tortura psicológica e outras torturas e situações vexatórias durante sete horas e meia.
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Segundo a equipe, sirenes iguais às de patrulhas policiais foram identificadas rondando o cativeiro. Contudo, os homens que chegavam ao local eram solidários aos torturadores. O barraco chegou a ter cerca de 20 milicianos. Os repórteres foram libertados após os criminosos terem passado todo o tempo garantindo que eles seriam torturados até a morte. A condição para serem soltos seria manter segredo sobre a sessão de agressões. Mas eles decidiram publicar a história.
Após a denúncia do jornal, as milícias, grupos compostos por policiais militares, na ativa ou aposentados, bombeiros e, em alguns casos, até ex-traficantes que cobram pela segurança dos moradores e assumem o controle de atividades ilegais nas favelas, ganharam visibilidade nacional. Elas surgiram no começo dos anos 1980 para supostamente proteger quem vive em comunidades violentas. Em 2008, números da Secretaria de Segurança Pública indicavam que 78 favelas eram controladas por grupos milicianos.
Em julho, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães foi preso suspeito de comandar a milícia Liga da Justiça. O irmão dele, o vereador Jerônimo Guimarães, conhecido como Jerominho, estava preso desde dezembro de 2007 pelo mesmo motivo. Em agosto, foi a vez da então candidata a vereadora e filha de Jerominho, Carminha Jerominho (PTdoB), ser presa durante a Operação Voto Livre da Polícia Federal. Ela foi solta em outubro por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e eleita no pleito de 5 de outubro. O ex-policial militar Luciano Guimarães, também filho do vereador, foi outro preso na ação. Em outubro, Natalino renunciou ao mandato para escapar do processo de cassação e, assim, poderá concorrer novamente a cargo político em 2010.
Em 28 de outubro, o ex-policial militar Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, suspeito de integrar a Liga da Justiça, fugiu do presídio de Bangu 8. Segundo a polícia, os milicianos reuniram R$ 1 milhão para pagar a fuga. Seis agentes penitenciários do presídio de segurança máxima foram indiciados suspeitos de participar da escapada do preso.
Em novembro, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativo do Rio (Alerj) que investigou a atuação das milícias pediu o indiciamento de 226 pessoas. Em cinco meses de trabalho, a CPI reuniu provas e documentos além de uma lista com 1.113 nomes de pessoas suspeitas de ligação com os grupos paramilitares. A comissão apontou ainda que as milícias seriam responsáveis pelo domínio econômico e político de 171 comunidades no Estado.
A Polícia Federal informou, no mesmo mês, detalhes da movimentação fiscal dos 11 homens e duas mulheres investigados suspeitos de pertencerem à cúpula das milícias, entre eles Natalino, Jerominho e o vereador eleito Cristiano Girão (PMN). Segundo a polícia, eles teriam movimentado um total de quase R$ 14 milhões somente em suas contas bancárias. Os patrimônios dos 13 somados chegaria a R$ 18 milhões. Um sargento da Polícia Militar teria acumulado R$ 6,1 milhões entre apartamento, casas, carros de luxo e outros investimentos.
Os supostos líderes milicianos somam, ainda de acordo com a Polícia Federal, 10 vezes o valor declarado à Receita. Eles teriam ficado milionários com a exploração de transporte ilegal, TV a cabo pirata, venda de gás e segurança clandestina promovidos pelos grupos. No relatório, a PF afirma: "o argumento de que a milícia é melhor do que o tráfico é apenas um verniz para que as comunidades sejam subjugadas e produzam lucros incalculáveis aos milicianos".