NotíciasRetrospectiva2008Brasil

 

Brasil

Padre morre após levantar vôo com mil balões de festa

Reprodução/Futura Press Equipes de resgate localizaram balões em alto-mar no segundo dia de buscas ao padre Adelir Antônio de Carli Equipes de resgate localizaram balões em alto-mar no segundo dia de buscas ao padre Adelir Antônio de Carli

O padre Adelir Antônio de Carli, 41 anos, levantou vôo com cerca de mil balões de festa cheios de gás hélio às 13h do dia 20 de abril - um domingo -, em Paranaguá, no sul do Paraná. O objetivo dele era chegar à cidade de Ponta Grossa, mas acabou sendo desviado do trajeto pelo vento e caiu no mar. Parte do corpo dele foi localizado por uma embarcação que presta serviços para a Petrobras, a 100 km da costa de Macaé (RJ), em 3 de julho.

» Veja fotos dos balões e do enterro
» Padre Adelir é enterrado no Paraná

O padre não tinha habilitação para voar. A coordenadora da Pastoral Rodoviária de Paranaguá, Denise Gallas, afirmou que Adelir queria quebrar o recorde de um americano que vôou 19 horas com balões para divulgar e levantar fundos para as atividades da pastoral, que presta apoio espiritual a caminhoneiros. Denise relatou que, na hora da partida, ele foi aconselhado a não voar porque o tempo estava fechado e chovia. Mas o padre alegou que as nuvens estavam baixas e que ele logo passaria por elas.

O religioso estava em uma cadeira flutuante, usava uma roupa térmica, levava dois celulares (um operado via satélite e outro tradicional), e um aparelho de GPS, que ele não sabia operar. Em seu último contato, o padre pediu à Polícia Militar que o ensinasse a mexer no GPS e disse que a bateria de um dos celulares estava no fim. Ele também levava consigo água, barras de cereal e cápsulas energéticas.

Antes da tentativa que acabou em tragédia, o padre realizou um teste bem-sucedido em janeiro. Ele decolou de Ampére (PR), sua cidade natal, sentado uma cadeira de paraglider e usando 500 balões de festa. Percorreu 11 km até San Antonio, na Argentina, e chegou à altitude de 5.337 m. Adelir pousou em território argentino após quatro horas e 15 minutos de vôo.

No dia 20 de abril, o último contato do padre com a Polícia Militar aconteceu durante a noite, quando estava a cerca de 30 km da ilha dos Tamboretes, localizada em São Francisco do Sul, litoral norte de Santa Catarina. O padre ligou do telefone celular para passar as coordenadas de onde estava e pedir para que entrassem em contato com as autoridades.

Buscas
As buscas pelo padre começaram na manhã no dia seguinte. Os trabalhos foram executados pelo Corpo de Bombeiros, sob coordenação da Capitania dos Portos de São Francisco do Sul. Um navio varredor percorreu todo o litoral norte e pescadores auxiliaram em barcos particulares. A operação também contou com uma aeronave da Força Aérea Brasileira, que vasculhou uma área total aproximada de 4,5 mil km², helicópteros e jet skys.

No segundo dia de buscas, as equipes localizaram vários balões de festa em alto-mar (foto), mas nenhum vestígio do religioso. As buscas foram encerradas no dia 26 de abril pela Marinha, depois de mais de 130 horas de trabalho no mar. Bombeiros voluntários continuaram os trabalhos. Mas somente em 3 de julho, parte do corpo do religioso foi localizada, no litoral do Rio de Janeiro. Os despojos foram identificados por meio de exame de DNA.

Autorização
O bispo da diocese de Paranaguá afirmou que o padre não teria autorização para promover o vôo com balões em nome da Pastoral Rodoviária. Já o Comando da Aeronáutica informou que a aventura pode ter colocado em risco aeronaves comerciais que se aproximavam da região sul do Brasil. Adelir teria passado próximo à área de pelo menos três aeroportos - São José dos Pinhais, na grande Curitiba, distante cerca de 90 km do ponto de partida, além de Joinville e Navegantes, localizados no norte de Santa Catarina.

Prêmio
O acidente envolvendo o padre recebeu o Darwin Awards, um prêmio internacional cujos vencedores tiveram mortes acidentais inusitadas. Segundo o site, a premiação "saúda a evolução do genoma humano" porque os genes dessas pessoas não serão perpetuados.



Redação Terra