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Crimes contra crianças e adolescentes chocam o País

Reinaldo Marques/Futura Press Eloá vai até a janela do apartamento onde foi mantida refém pelo ex-namorado Eloá vai até a janela do apartamento onde foi mantida refém pelo ex-namorado

Crimes violentos cometidos contra crianças e adolescentes chocaram, comoveram e revoltaram o País ao longo de 2008. Isabella Nardoni, 5 anos, morreu após ser jogada do sexto andar do prédio onde morava em São Paulo (SP). O pai, Alexandre Alves Nardoni, e a madrasta, Ana Carolina Jatobá, são acusados do crime. Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, foi feita refém pelo ex-namorado por 101 horas em Santo André (SP) e morreu baleada no desfecho do seqüestro. O menino João Roberto, 3 anos, foi vítima de disparos de policiais contra o automóvel da sua mãe, no Rio. E a estudante L.R.S., 12 anos, foi torturada por uma empresária em Goiânia (GO).

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Isabella foi encontrada ferida, no dia 29 de março, no jardim do prédio onde morava com a família, na zona norte de São Paulo. Segundo os Bombeiros, a menina chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 0h.

O pai e a madrasta alegaram que o prédio foi invadido e que a menina foi jogada do sexto andar por uma pessoa desconhecida. Alexandre sustenta que deixou sua mulher e os dois filhos do casal no carro e subiu para colocar Isabella, que já dormia, na cama. Em seguida, teria descido para ajudar a carregar as outras duas crianças e, ao voltar ao apartamento, viu a tela da janela cortada e a filha caída no gramado em frente ao prédio. Mas a investigação da polícia apontou que Isabella foi agredida ainda no carro da família, asfixiada pela madrasta e jogada do sexto andar do edifício pelo pai. O casal foi indiciado por homicídio doloso triplamente qualificado e está preso. Eles irão a júri popular.

Caso Eloá
Lindemberg Fernandes Alves, 22 anos, invadiu armado o apartamento da família da ex-namorada Eloá, por volta das 13h30 do dia 13 de outubro inconformado com o fim do relacionamento com a jovem. Ela morava em um conjunto habitacional em Santo André, no Grande ABC Paulista. A menina estava acompanhada da amiga Nayara, 15 anos, e de dois adolescentes. O grupo faria um trabalho para a escola quando foi rendido.

Na noite do seqüestro, os dois garotos foram liberados sem ferimentos. Na noite seguinte, foi a vez de Lindemberg soltar Nayara. Mas, atendendo a um pedido da polícia para auxiliar nas negociações do seqüestro, a jovem retornou ao apartamento no dia seguinte e foi novamente rendida por Lindemberg.

Após cinco dias de cativeiro e diversas promessas não cumpridas de libertação das jovens, policiais invadiram o apartamento após alegarem terem ouvido um tiro. Lindemberg teria disparado contra as duas jovens, ferindo Eloá na cabeça e na virilha, e Nayara no rosto. Eloá morreu um dia depois, no hospital. A amiga passa bem. Lindemberg foi preso e indiciado por homicídio qualificado, dupla tentativa de homicídio, cárcere privado qualificado e disparo de arma de fogo.

João Roberto
No dia 6 de julho, policiais militares efetuaram pelo menos 17 disparos de pistola e fuzil contra o automóvel onde estavam Alessandra Soares e os filhos João Roberto, 3 anos, e Vinícius Soares, que tinha 3 meses à época, após confundirem o veículo da família com o de criminosos, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. O menino João Roberto foi baleado na cabeça e morreu no dia seguinte. Os PMs Elias Gonçalves da Costa Neto e Wiliam de Paula, acusados pela morte, serão levados a júri popular.

Menina é torturada em Goiás
A estudante L.R.S., 12 anos, foi vítima de tortura e maus tratos por parte de Sílvia Calabresi Lima, 42 anos, em Goiânia (GO). Segundo a acusação, a menina, que auxiliava nos serviços domésticos e morava na casa da empresária, apanhava quase todos os dias, de diversas formas, e apresentava mais de 40 lesões pelo corpo quando foi avaliada por médicos do Instituto Médico Legal (IML). Algumas lesões são permanentes. Para torturá-la, a empresária usava alicates e ferro de passar roupa. L.R.S. também ficava sem comida e água.

A empresária e sua empregada doméstica, Vanice Novaes, 22 anos, foram presas no mesmo dia em que a polícia encontrou a garota. Sílvia, que alegava estar educando a jovem, foi condenada a quase 15 anos de prisão pelo crime de tortura. Vanice pegou 7 anos por ser considerada cúmplice da patroa. Ambas estão na Penitenciária Feminina Consuelo Nasser, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Em outubro, L.R.S. viajou para Belo Horizonte (MG). Ela vai passar três meses com uma família que pretende adotá-la.



Redação Terra