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Quinta, 28 de dezembro de 2006, 17h14  Atualizada às 18h45

MG: Aécio assume governo pensando em 2010

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O governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) inicia o seu segundo mandato com o desafio de transformar a nova gestão, conquistada com uma vitória consagradora já no primeiro turno da eleição, numa plataforma que o lance à sucessão presidencial de 2010.

Não é à toa que tem declarado, desde o momento em que viu garantida a sua reeleição, que pretende implementar uma administração de realizações e resultados, colocando "Minas Gerais na vanguarda do crescimento econômico".

Foi essa diretriz que prevaleceu na preparação do Orçamento de 2007, recém-aprovado pela Assembléia Legislativa, que prevê expansão significativa dos gastos públicos com investimento.

Nas metas fiscais para o triênio de 2007/2009, período decisivo para as pretensões políticas do governador mineiro, os investimentos médios devem ficar ao redor de 3,3 bilhões de reais ao ano, mais do que o dobro das aplicações médias de 1,5 bilhão de reais verificadas ao longo do primeiro mandato.

Eleito com quase 7,5 milhões de votos no primeiro turno da eleição, o que significou mais de 77% dos votos válidos, Aécio não comenta seus projetos políticos para 2010, evitando escancarar uma disputa antecipada em seu próprio partido, que tem ainda entre potenciais presidenciáveis o governador de São Paulo, José Serra, e o candidato derrotado na última eleição, Geraldo Alckmin.

O nome do governador mineiro, contudo, conta com a simpatia de aliados do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia (PTB), e o vice-presidente José Alencar (PRP).

Esse trânsito do governador tucano em diversos grupos políticos foi demonstrado na última eleição, quando costurou uma ampla coligação formada por 10 legendas (PP, PTB, PSC, PL, PPS, PFL, PAN, PHS, PSB, PSDB), neutralizando a possível ameaça que poderia representar a polêmica união entre o PT e o PMDB, adversários históricos em âmbito estadual.

Além de garantir uma expressiva vitória, alcançando o triplo dos votos obtidos por todos os seus adversários juntos, Aécio também levou o deputado federal Elizeu Rezende (PFL) ao Senado, impondo uma derrota ao presidente Lula, que apoiava o ex-governador Newton Cardoso (PMDB).

Economista formado pela PUC-MG, Aécio Neves, de 46 anos, vem de uma família tradicional na política mineira. O pai, Aécio Ferreira da Cunha, foi deputado estadual por dois mandatos (de 1955 a 1962) e deputado federal por seis mandatos (entre 1963 e 1987).

Mas foi com Tancredo Neves, seu avô materno, que ele iniciou sua carreira política, aos 22 anos. Entre 1983 e 1984, Aécio presidiu a ala jovem do PMDB mineiro. Em 1986, obteve pela primeira vez uma cadeira como deputado federal e participou da Constituinte de 1988, quando propôs a emenda que instituiu o direito de voto aos 16 anos.

Em 1989, uniu-se aos fundadores do PSDB. Pelo novo partido, elegeu-se deputado federal por Minas Gerais em 1990, 1994 e 1998, quando foi reeleito com o maior número de votos no Estado (mais de 185 mil). Aos 40 anos, chegou à presidência da Câmara dos Deputados em 2001. Em 2002, foi eleito ao governo de Minas, também no primeiro turno, com 5,3 milhões de votos, o equivalente a 57,68 por cento dos votos válidos.

Reuters
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