São Paulo

Notícias por email

São Paulo

Quinta, 28 de dezembro de 2006, 17h13  Atualizada às 18h54

Serra deve governar em paz com o governo federal

Busca
Saiba mais na Internet sobre:
Faça sua pesquisa na Internet:

Eleito no primeiro turno para o governo de São Paulo, José Serra (PSDB), deve utilizar sua gestão como vitrine para a disputa da Presidência da República em 2010. Isto não significa que ele vá assumir uma posição de confronto em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra não declara em público que queira concorrer ao Planalto, mas esta é a tendência natural para o cacique tucano que já disputou e perdeu a disputa com Lula em 2002. Como em anos anteriores, ele enfrentará concorrência dentro do partido, desta vez por parte do governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves.

Com Lula, tem dito que terá "as melhores relações institucionais possíveis", indicando uma posição entre governos, inerente ao cargo. Para analistas, Serra deve iniciar seu mandato à frente do governo de São Paulo - Estado com orçamento anual de mais de 81 bilhões de reais- com muita prudência em relação ao governo federal.

"Ele vai ser soft, com certeza", disse Rubens Figueiredo, diretor da Cepac Pesquisa e Comunicação, um respeitado centro de estudos e análises políticas. "O governo estadual precisa do governo federal e o Serra não tem perfil de sair atirando. Mais ainda em um presidente eleito com amplo apoio popular", lembrou Figueiredo. Radicalização, segundo o analista, só seis ou oito meses antes de qualquer eleição.

Aliados
Na montagem de seu secretariado, Serra convidou, além de representantes tucanos, três políticos ligados ao PFL, um ao PPS e outro ao PTB, partidos que o apoiaram na eleição para o Estado. Aceitou ainda uma indicação do governador Cláudio Lembo (PFL).

Serra recebeu críticas sobre as escolhas. Uma das principais veio do PDT e da Força Sindical, inconformados com a indicação do empresário Guilherme Afif Domingos (PFL) para a pasta do Trabalho. Durante o processo de formação do secretariado, a bancada tucana reclamou da falta de consulta por parte do governador, o que foi atendido em parte com a indicação do presidente do PSDB paulista, Sidney Beraldo, para a nova pasta da Administração e Gestão.

Em um dos anúncios de indicados, Serra rechaçou ter feito um loteamento entre partidos aliados. "Não fiz loteamento político como se costuma fazer nesses casos", afirmou Serra, para quem a equipe tem perfil técnico e político. "Eu mesmo sou uma mistura de político e administrador, e procuro essa mistura sadia dentro do governo".

Trajetória
Serra, 64 anos, é considerado político pragmático, mas também pouco carismático. A fórmula própria para governar, de acordo com pessoas próximas a ele, é "dispor de bons diagnósticos, saber escolher boas equipes e ser voluntarista".

Ele começou cedo na política. Em 1963, aos 21 anos, já era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Mais tarde, foi perseguido pelos responsáveis do golpe de Estado que derrubou João Goulart no final de março de 1964.

Três meses depois partiu para o exílio. No exterior, o tucano enfrentou dificuldades e não conseguiu concluir seus estudos de engenharia. Decidiu, então, formar-se em economia, obtendo o diploma de mestre pela Universidade do Chile, onde tornou-se professor. Nesse período, foi também funcionário da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), da Organização das Nações Unidas, e, após o golpe de Estado de Augusto Pinochet, em 1973, ficou preso no Estádio Nacional. Nesse ano foi para os EUA, onde obteve doutorado na Universidade de Cornell.

Retornou ao Brasil em 1978, participando do governo de Franco Montoro em São Paulo, eleito em 1982 pelo PMDB.

Em junho de 1988, sob a liderança de Montoro, Mario Covas e Fernando Henrique Cardoso, ajudou a fundar o PSDB. Após perder a eleição presidencial para Lula, assumiu a presidência nacional do PSDB em 2003, e, depois, foi eleito prefeito de São Paulo em 2004.

Perfil
Na Prefeitura impôs um ritmo "obsessivo" de trabalho, de acordo com assessores próximos que ainda servem ao seu sucessor, Gilberto Kassab (PFL-SP).

"Das primeiras horas da manhã até bem tarde da noite, ele mantém sempre uma postura de governo. Cobra muito de tudo e de todos e nunca fica nada sem resposta", disse um desses colaboradores.

O medo entre os assessores é que Serra aumente ainda mais as cobranças uma vez que vai trabalhar e residir no mesmo local, o Palácio dos Bandeirantes.

Filho de calabreses, Serra passou sua infância na Móoca, bairro típico da imigração italiana em São Paulo. É casado, pai de dois filhos e tem um neto.

Reuters
Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.