A teoria dos soldadinhos cinzentos é de que os bonequinhos verdes são o verdadeiro mal porque não hesitam em usar bombas e aviões e o menino no campo de batalha, enquanto eles só usam armas inúteis que nem disparam balas de verdade.
A teoria dos soldadinhos verdes é de que guerra é guerra e isso inclui usar bombas, aviões e o menino contra armas inúteis, desde que em nome do bem maior, que, aliás, eles representam.
A teoria da pequena bomba de plástico é de que os bonequinhos cinzentos são o verdadeiro mal pois é contra eles que se usa a pior arma que o homem já criou: uma bomba. No seu frio raciocínio de artefato de guerra, o mal deve ser tão ruim que é preciso mobilizar cientistas, teorias, inteligência, tempo e matéria-prima para construir as bombas e ainda é preciso esquecer a sensatez antes de jogá-las.
A teoria dos cientistas que fazem bombas é de que cientistas, teorias, tempo e matéria-prima só são usados para fabricá-las porque existiram primeiro os soldadinhos.
A teoria dos pais do menino é de que não há nada demais em brincar de guerra, assim como não há nada de mal em brincar de polícia e ladrão, assim como não há nada demais em brincar de luta, só havendo algo demais em brincar de médico com essa idade.
A teoria do tapete é de que é melhor servir de campo de batalha do que de passadeira e o único perigo, acredita, é que algum soldadinho fique preso e arrebente as suas cerdas.
A teoria do caos diz que tudo isso tem um sentido.
A teoria dos carrinhos, jogos, bolas e outros brinquedos do menino é de que tanto faz quem vai vencer a batalha, pois na verdade este é uma brincadeira muito chata.


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