Aos 80 anos, stripper americana não pensa em parar

20 de julho de 2008 • 20h36 • atualizado às 20h36
Aos 80 anos, Tempest Storm ainda faz shows de strip-tease nos Estados Unidos
Aos 80 anos, Tempest Storm ainda faz shows de strip-tease nos Estados Unidos
17 de julho de 2008
Getty Images

Tempest Storm está espumando. Seus dedos tremem de frustração. Eles estão velhos, com artrite e pintas roxas sob a pele fina. Mas o esmalte laranja é novo e perfeito, da cor de seu cabelo desgrenhado, sua marca registrada. Tempest Storm tem mais de 50 anos de carreira, exatos 80 de idade, e garante que está longe de se aposentar da profissão.

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Ela espalha o blush laranja pelo rosto enquanto explica o quanto tem sido menosprezada. Ela é uma artista, uma estrela. Ela é superior. "Eu não subo lá e tiro minhas roupas apenas", diz.

De fato, a stripper se despe bem devagar. Mais de 50 anos atrás, ela foi apelidada de "a garota com a melhor frente" e classificada por muitos homens famosos como "os melhores suportes de Hollywood".

Desde então, Tempest viu a arte que a fez tão famosa quase se extinguir. Suas contemporâneas - Blaze Starr, Bettie Page, Lili St. Cyr - morreram ou se aposentaram. Mas ela não. Tempest ainda se apresenta em Las Vegas, Reno, Palm Spings, Miami e Carnegie Hall.

Suas apresentações são como uma cápsula do tempo. Ela não sabe nada sobre postes. Ela nunca colocaria seu bumbum no rosto de um homem. Seus adereços são botas e, ocasionalmente, divãs. Toda a apresentação dura quatro atos, necessários para tirar tudo. Para fazer com classe.

Mas os produtores do show desta noite são jovens e querem que ela seja mais rápida. Ela tem apenas 7 minutos para tirar toda a roupa. "Eu fazia em 7 minutos quando comecei", diz.

No ano passado, os produtores fizeram uma confusão com a stripper. Eles até cortaram a música antes de acabar a apresentação. "Talvez não aja uma próxima apresentação", diz Tempest. Mas a ameaça dura apenas alguns minutos. "Não, não. Eu não estou pronta para aposentar a minha calcinha fio-dental. Eu tenho muitos fãs e não posso desapontá-los".

Fugindo da pobreza e dos abusos
"Esta fase salvou minha vida", diz Tempest pouco antes de sua apresentação. Lillian Hunt, coreógrafa do Teatro Follies, de Los Angeles, onde a stripper se tornou uma estrela, explica que ela precisa de espaço para se mover.

Na época, ela era Annie Blanche Banks. A filha de fazendeiros de 22 anos que fugiu de abuso sexual, dois casamentos sem amor e pobreza na pequena cidade da Georgia, diz Lillian. Ela trabalhava como garçonete, mas queria ser uma dançarina, embora primeiro precisasse arrumar seus dentes.

"Você acha que meu busto é grande demais para esse negócio?", perguntou Tempest para Lillian, que a colocou na linha do coral, disse para ela não engordar 1 kg e chamou um dentista.

De acordo com Tempest, ela não ficou muito tempo no fundo e arrumou um novo nome. "Eu realmente não me sentia como um 'Dia Ensolarado'", disse em referência ao seu nome que pode ser traduzido como "Tempestade Tormenta", em tradução livre. Rapidamente ela foi para os holofotes. Antes e agora, ela floresceu ao som de assobios e palmas.

"O truque é ter carisma, um sorriso convidativo", afirma. Quando ela sobe no palco, deixa sua mente voar de volta para "Georgie". Tempest se imagina como uma menina, usando seu melhor vestido, correndo pela estrada para encontrar seu pai voltando do trabalho.

"Eu me sinto como uma menina toda arrumada. Eu tenho a imagem toda na minha cabeça e posso ver aquela garota", ela diz. No palco, a imagem se congela.

Sem cigarro e álcool
Storm não fuma nem bebe e assiste a programas religiosos na TV. Aos domingos, ela liga em um canal que diz que todos podem superar os problemas. É a única religião que ela segue. Storm acredita que essa é a lição de sua vida. Ser uma sobrevivente. "Nunca parar de fazer o que você ama faz o que você é".

"Se você quer envelhecer, então isso acontecerá", diz. Houve homens que a desapontaram, problemas financeiros, cirurgia no cérebro. "Acredito que sou abençoada. E sei me afastar da mesa".

Se alguns enxergam isso como uma tentativa de recuperar sua juventude perdida, ela diz que pouco se importa. Jovens dançarinas falam que ela é uma inspiração e não há motivos para não acreditar.

"Eu me sinto bem comigo mesma e gosto disso", diz. "Eu me divirto quando estou no palco e o público ama. Ninguém nunca me disse que é hora de desistir. Por que parar?", pergunta.

Palmas e assobios
Realmente, ninguém nem sonha em dizer para Tempest Storm que ela deveria desistir de fazer strip-tease quando ela desliza no palco do clube do cassino durante seus 7 minutos.

"Algo na maneira que ela se mexe", ouve-se nos alto-falantes. Seu baterista, o Ringo Starr emprestado do show de homenagem aos Beatles de Las Vegas, dá a batida.

A rainha do strip aparece à direita do palco. Um vestido colado roxo desce de seus ombros. Um colar que imita diamantes cobre seu decote. O boá parecido com uma cobra cai em suas mãos. por alguns segundos, seu rosto mostra coragem. E então ela ouve os aplausos.

Quando se apresenta, Tempest sorri, se inclina e anda sob seus calcanhares. Suas mãos vão para frente e para trás como se estivessem na água, até que elas caem atrás do quadril.

Mais aplausos. Assobios. Então o boá desaparece. Depois, Tempest tira suas luvas e desce do palco para colocar a lingerie, que sai tão rápido quanto entrou. E com dois toques de suas unhas laranjas, o vestido sai também. Mais assobios, gritos, aplausos.

Olhando para a mulher de 80 anos com meia-calça arrastão, um brilhante sutiã que imita diamantes e um fio-dental, uma jovem mulher vira para um rapaz e declara: "quero estar assim quando tiver a idade dela".

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