Jumento vira apicultor no sertão do Ceará

18 de maio de 2008 • 11h39 • atualizado às 13h48
Juraci ajuda carregando os favos de mel  Foto: Omar Jacob/Especial para Terra
Juraci ajuda carregando os favos de mel
16 de maio de 2008
Foto: Omar Jacob/Especial para Terra

Omar Jacob
Direto de Itatira

São Paulo


Em uma cidade a 206 km de Fortaleza, onde nem mesmo celulares funcionam, o mel conseguiu transformar um animal pacato e sem atrativos na sensação do momento.

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Juraci, o jumento apicultor de Itatira, tem atraído atenção não só dos outros produtores de mel da região, mas também de dezenas de curiosos e até da imprensa.

O dono, Manoel Juraci Vieira, trabalha no ramo há dois anos e conta que tinha dificuldade em carregar o mel dos apiários, uma espécie de colméia artificial, até as casas de mel, onde o produto é beneficiado.

"Tíanhamos que andar mato a dentro, em lugar que não dava pra levar um carrinho de mão, por exemplo. Estão eu tive essa idéia", conta.

Em dezembro do ano passado, e com a ajuda de outros apicultores, ele criou a indumentária para o bicho, com direito a tela e tecido especial, para não incomodar o animal.

"Ele não acha ruim. É meu amigo, daqueles fiéis mesmo, sabe?", avalia Manoel. Na hora de vestir a roupa, Juraci não faz cerimônia: até levanta as patas para facilitar o trabalho do dono.

"É uma graça", diz Socorro, esposa de Manoel. Todos os trabalhadores do mel da região têm registro na Associação dos Apicultores de Itatira e agora Manoel quer que Juraci também seja registrado.

"Acho mais do que justo", argumenta. A presidente da associação afirma que está avaliando o pedido: "Estamos analisando como é que vamos certificar esse jumento, mas que é merecidíssimo é!", reconhece Cláudia Guerra.

A expectativa dos associados é ampliar a experiência para todos os outros produtores. "É só uma questão de dias", afirma Cláudia.

A produção de mel é recente no município de Itatira. Há apenas 4 anos a cultura foi introduzida entre os produtores rurais e fez tanto sucesso que já ocupa a terceira posição na economia local.

"Antes tínhamos o ouro branco, que era o algodão. E os nossos pais compravam tudo com o dinheiro da venda dele. Agora não, o ouro é dourado mesmo", explica um dos apicultores da região, Júlio César Muniz.

O sabor da iguaria por lá é característico, graças à florada do marmeleiro, planta típica da região. Das casas de mel e em sachês, o produto segue para as escolas e é a parte preferida da merenda das crianças.

Redação Terra
 
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