Paraíso mexicano vira point de turistas "pelados"

26 de abril de 2008 • 13h10 • atualizado às 13h10
Casal curte a praia sem roupa em Cancun, no México  Foto: The New York Times
Casal curte a praia sem roupa em Cancun, no México
25 de abril de 2008
Foto: The New York Times

Michelle Higgins

Estados Unidos


Quando Larry Massa diz que gosta de viajar com pouca bagagem, entenda literalmente. Nada de paletó ou gravata ao jantar, uniforme de tênis impecável caso ele decida ir às quadras ou um roupão de banho para vestir no caminho do quarto de hotel até a piscina ou spa.

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Porque quando Massa, 74 anos, comandante reformado da marinha e engenheiro especializado em ciência da computação que vive em Virginia Beach, sai em férias com Darlene, sua mulher, eles o fazem nus.

"Se você nunca experimentou, não há como eu contar como isso pode ser divertido, como isso pode tornar as férias ainda melhores", diz Massa, que vem tirando férias nas quais roupas são opcionais desde 2001.

Sua mais recente viagem foi a um complexo de turismo nudista no México. "Jamais vou esquecer aquele dia", conta Massa sobre a primeira visita do casal a uma colônia de nudismo no Caribe.

"Estava lotado. Fomos até a ponta da piscina e Darlene disse 'vou tirar o sutiã'. Eu pensei que não queria usar aquele calção na piscina, e por isso pulei nu. Ela me olhou, tirou a calcinha do biquíni, e nunca mais quisemos outro tipo de férias."

Para muita gente, a menção de uma colônia nudista evoca imagens de praias isoladas com quadras de vôlei, encontros ao estilo hippy e um centro de campismo abrigado em meios aos bosques e freqüentado por pessoas que ainda falam com reverência do Verão do Amor.

E embora ainda existam diversas ofertas desse tipo para pessoas como Massa e seus colegas de naturismo (o nome que os adeptos da prática preferem), o verdadeiro boom das férias despidas vem acontecendo na parte mais sofisticada do mercado, com hotéis de luxo e até mesmo alguns navios de cruzeiro que começam a perceber o potencial de lucro oferecido pelos turista sem roupa - particularmente aqueles que estão dispostos a abrir mão de suas roupas, mas não de seu estilo de vida suntuoso.

O Hidden Beach Resort, um hotel de luxo exclusivo para nudistas inaugurado na procurada Riviera maia do México recebe os hóspedes com champanhe - e cobra uma diária de US$ 300.

Quando as camas são arrumadas, as camareiras espalham pétalas de rosas, e nas praias funcionários vestidos em discretos uniformes distribuem toalhas e livros e revistas para os hóspedes que relaxam nus.

O Sea Mountain Inn, um hotel de nudismo inaugurado dois anos atrás em Hot Desert Springs, Califórnia, com diárias entre US$ 269 e US$ 900, oferece quartos com influência asiática e roupas de linho egípcio; televisores de tela plana e chuveiros com água mineral natural.

O Occidental Grand Fuerteventura, nas ilhas Canárias, reserva blocos inteiros de quartos para os hóspedes nudistas. E diversos hotéis mais convencionais, como o Caesar¿s Palace e o Mirage, em Las Vegas, instalaram piscinas topless nos dois últimos anos.

Mesmo no mercado americano de férias, um novo condomínio onde usar roupas é opcional, o Mira Vista, em Marana, Arizona, está vendendo com facilidade suas mais de 100 unidades de dois quartos, com preço de US$ 244,5 mil.

Em 2007, o nudismo recreativo movimentou US$ 440 milhões nos Estados Unidos, ante US$ 400 milhões em 2001 e US$ 200 milhões em 1992, e continua a crescer, de acordo com a Associação Norte-Americana de Recreação Nudista.

De acordo com a organização, cerca de 20% de seus membros têm renda familiar média da ordem de US$ 106 mil ao ano, dirigem carros de luxo e investem mais de US$ 3 mil ao ano em viagens de lazer.

Os tipos de férias nudistas também se expandiram. Os turistas sem roupa podem optar por retiros de ioga nudistas, pousadas nudistas, fazer mountain biking nudista no deserto da Califórnia e viajar em navios de cruzeiro fretados exclusivamente para uso de passageiros sem roupa.

Na Alemanha, uma agência de viagem organizou um vôo fretado nudista este verão para levar turistas a uma colônia de nudismo no Mar Báltico. Os naturistas decolarão e pousarão vestidos, mas podem tirar a roupa em vôo. (Os comissários de bordo e equipe de vôo manterão os uniformes, no entanto.)

O SpaFinder.com, um site de busca de spas, recentemente criou uma categoria separada para "spas nudistas", depois de perceber um aumento nas buscas que continham o termo.

Desde novembro, o site vem registrando média mensal de 720 buscas usando esse termo - o que supera o número de buscas por "spas que recebem animais de estimação" e "serviços de depilação".

"Não é mais um movimento de raiz, com militantes radicais", disse Nancy Tiemann, presidente da Bare Necessities, que se especializa em viagens nudistas e está oferecendo um cruzeiro nudista de sete dias pelas ilhas gregas, em setembro, além de quatro outros em 2008 e 2009.

Quatro meses atrás, a empresa de Tiemann começou a vender um cruzeiro nudista ao Havaí, em 2010, a bordo do Constellation, da Celebrity Cruise Line, um navio com capacidade para 2 mil passageiros, e 90% dos lugares já foram reservados.

Quando a empresa, que ela controla em sociedade com seu marido Tom, começou a fretar pequenos navios para cruzeiros nudistas, no começo dos anos 90, ela diz que os grandes armadores de navios de turismo a viam como piada.

"Agora", diz Tiemann, talvez com uma pontinha de exagero, "eles estão se pisoteando para fazer negócios conosco". A maioria dos viajantes diz que o que mais os agrada é abandonar as pretensões sociais típicas.

"Quando você está sem roupa, não se pode saber se a pessoa é juiz, médico, advogado ou mecânico", disse Massa. "Você é o que é." Recreação nudista, claro, é um conceito que remonta aos antigos gregos, que disputavam os jogos olímpicos nus.

Mais tarde, nos Estados Unidos, tanto Benjamin Franklin como Henry David Thoreau exaltaram as virtudes de passear nu em meio à natureza. Mas foi só no começo do século XX que o nudismo se organizou nos Estados Unidos.

Kurt Bathel, um imigrante alemão, é visto como fundador do naturismo americano. Em 1929, ele conduziu um pequeno grupo de passeios a um piquenique nudista no interior do Estado de Nova York e organizou o primeiro clube nudista do país.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
 
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