Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis
Santa Catarina
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Concchitta, como é conhecida, já é chamada de "Guardiã do Cemitério". Seu aparecimento é cercado de muitos mistérios e já gerou várias histórias. A principal delas, que corre por toda a cidade, é a de que a cadela teria sido vista pela primeira vez acompanhado o enterro de Maria Conceita Della Giustina, ocorrido há cinco anos. Desde então, ela teria permanecido ao lado da sua sepultura.
Lendas à parte, o filho de Maria Conceita, o servidor público Giácomo Della Justina, trata de desmentir que o animal fosse de sua mãe. Ele diz que a história é muito mais simples: amante e defensor confesso de animais, ficou sensibilizado após ter visto a pequena cadela dormindo em cima do túmulo de sua mãe em um dia de forte chuva. "Foi triste vê-la passando frio e fome", disse ele, que desconhece a origem do animal. "Não sei de onde ela veio. Só sei que ela apareceu aqui e me adotou".
A família Della Giustina acabou abraçando a guardiã e abrindo uma passagem na porta da capela, para que ela pudesse entrar e sair à vontade. Concchita ainda tem à sua disposição uma pequena caminha impermeável para os dias de frio, água, comida e muito carinho.
"Ela não tem dois anos de idade ainda, segundo informação do veterinário", diz Giácomo, negando a história de que ela teria seguido o cortejo de Maria Conceita. "Na verdade foi ela quem me adotou e apareceu aqui há cerca de um ano".
Concchitta nunca mais deixou o cemitério e reconhece o barulho do carro de Giácomo assim que ele se aproxima do local. Antes mesmo que ele toque a buzina, ela já está latindo e saltando do lado de fora. Todas as quartas-feiras e aos finais de semana ele e sua mulher vão à capela para trocar água, ração e brincar com a cadela.
"Antes que eu desça do carro ela já está fazendo a maior festa do lado de fora", afirma, acrescentando que tinha a intenção de levá-la para casa, mas tem receio que seus outros quatro cães não se adaptem à Concchitta. "Ela escolheu o cemitério e é livre por ali. Acho que ela está segura e bem tratada, pois todos a adoram".
Ao deixar o cemitério, Giácomo é acompanhado por Concchita até o seu carro. Pelo menos duas vezes ao mês, ela é levada para passear e tomar banho numa clínica veterinária. "Todos aqui a conhecem me ajudam a cuidar dela. É a mascote daqui", diz ele. "Vivem me pedindo para doá-la, mas foi ela quem me escolheu".
Redação Terra