Nate Schweber
Estados Unidos
» EUA procuram 'Chapeleiro Louco'
» Inocente confessa crime por carona
James Madison, 50 anos, conhecido em toda a região como Bandido do Chapéu ou Chapeleiro Louco, se admitiu culpado por seis acusações de assalto a bancos, e também admitiu ter roubado outros 12 bancos, além de uma tentativa frustrada de assalto, em uma onda de crimes que atingiu quatro condados e lhe propiciou quase US$ 81 mil em ganhos ilícitos. "Com base em sua admissão de culpa, o Chapeleiro Louco não comparecerá a mais nenhum chá", disse Robert Bianchi, promotor público do condado de Morris.
Cada uma das acusações pode acarretar sentença de prisão de até 20 anos e multa de até US$ 250 mil. Christopher Christie, o procurador federal norte-americano em Nova Jersey, anunciou que tentaria sentenciar Madison a uma penitenciária federal por mais de 11 anos, e que o forçaria a restituir o dinheiro roubado. O juiz Jose Linares, do tribunal federal norte-americano em Newark, marcou uma audiência de sentenciamento para o dia 18 de dezembro.
A expectativa inicial era de que Madison se admitisse culpado em 29 de agosto, depois de fechar acordo com os promotores do caso, mas ele mudou de idéia e declarou que "não quero levar o acordo adiante". Ele foi detido em julho depois roubar milhares de dólares de uma agência do Bank of America em Union Township, pondo fim a uma série de assaltos que durou de setembro do ano passado a julho.
Na terça-feira, algemado e vestindo calças verdes e uma camisa de manga curta, Madison acenou ao chegar e ao sair para seu pastor, o reverendo Ron Christian, da Igreja Batista do Amor Cristão, em Irvington, Nova Jersey. Christie disse que o pastor havia convencido Madison a se declarar culpado, depois da hesitação que ele demonstrou no mês passado em uma audiência que Christie descreveu como "ensaio geral" para a de ontem.
Christian disse ter conversado com Madison uma semana atrás na cadeia do condado de Passaic, onde ele está detido, sem direito a fiança, desde sua prisão, e que o acusado parecia "demonstrar remorso". Ele afirmou que Madison, mecânico, começou a freqüentar a igreja em 2003, ao receber liberdade condicional depois de 18 anos de prisão por assassinato de uma colega durante uma briga; ele lançou o corpo da vítima ao rio Passaic.
No tribunal, terça-feira, Madison começou a descrever como entregava bilhetes aos caixas de cada banco que roubou, instruindo-os a colocar dinheiro no balcão "e sem corante em meio às notas". Mas o juiz o interrompeu e leu em voz alta diversos dos bilhetes, perguntando a Madison se ele os havia escrito. Madison confirmou a autoria de cada um. O juiz também perguntou se ele havia usado chapéus, entre os quais um chapéu de caça, um gorro de tricô, um boné de beisebol do St. Louis Cardinals e outro do Texas Longhorns. Madison uma vez mais confirmou.
Weysan Dun, agente especial encarregado do escritório do Serviço federal de Investigações (FBI) em Newark, disse que a onda de crimes de 10 meses de duração respondia por 16% dos 110 assaltos a bancos registrados no Estado no período. Em entrevista coletiva, depois da audiência, Dun criticou quem veja as ações de Madison como "românticas" ou "mitológicas". Dun afirmou que "tiro o chapéu para os agentes e pessoal de apoio que dedicaram longas horas a esse caso".
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
The New York Times