Iraquianos preferem cinema erótico às mesquitas

05 de setembro de 2003 • 12h06 • atualizado às 12h06

Centenas de iraquianos em Bagdá preferem ir ao cinema para ver filmes eróticos, inclusive com conteúdo pornográfico proibido na época de Saddam Hussein, que assistir as rezas de sexta-feira, dia de descanso para os muçulmanos.

No centro da capital há mais de seis cinemas, e em todos são projetados filmes obscenos. "Agora muito mais pessoas vem ao cinema, em particular numa sexta-feira como hoje que elas não tem nada para fazer", afirma Abu Karim, de 60 anos, administrador do cinema a-Nuyum (as Estrelas) na praça de Sadun, em pleno centro de Bagdá.

De fato, durante a segunda sessão, que começa ao meio dia, a sala, de 500 lugares, é preenchida com cerca de dois terços de sua capacidade. Os espectadores podiam assistir hoje, sexta-feira, em sessão contínua "O sonho dos jovens" e "Meninas sob o microscópio", filmes de produção italiana da década de 1980, com legendas em francês e árabe.

Segundo Abu Karim, desde a queda do regime de Hussein afloraram os extremos: houve tanto uma abertura descontrolada da sociedade que torna possível a projeção de pornografia quanto uma tendência para o conservadorismo e extremismo religioso. A falta de poder e o caos resultante ameaçam afundar o país em enfrentamentos entre a população sunita e xiita.

Abu Karim explica que durante o regime de Hussein, o Ministério de Informação só permitia filmes com conteúdos ligeiramente sugestivos, mas agora que não existe censura foi introduzida a pornografia. "Depois da queda do regime, houve uma abertura moral negativa. Esse tipo de fenômeno corrompe a sociedade", critica Riyad Hasan, de 35 anos, vendedor ambulante, na frente do Cinema Granada.

O Cinema Granada fica no centro de Bab a-Sharki, um dos mercados abertos mais movimentados de Bagdá, e também uma das regiões mais perigosas, e exibe hoje "Sodoma" e "Café, chá e eu". "Isso não é liberdade nem democracia, e não é representativo da sociedade iraquiana", concluiu. O proprietário do Cinema Granada, que prefere não revelar seu nome, justifica a popularidade desse gênero neste momento. "Não existe segurança, e a população, aborrecida, não tem outra maneira de se divertir", diz. Hussein Kaser, um jovem de 19 anos que comprou uma entrada para ver "A governanta Pamela", despreza as críticas. "Cada um faz o que quer", diz.

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