Paulistas se juntam para bater sapato no chão

14 de agosto de 2003 • 08h34 • atualizado às 08h34

O farol de pedestres fica verde. Cerca de 100 pessoas cruzam a avenida mais movimentada de São Paulo. Ao mesmo tempo, tiram seus sapatos e começam a batê-los no chão. Farol vermelho. Do outro lado da calçada, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos recebem a turba. Foi assim o primeiro "flash mob" brasileiro, ontem, na avenida Paulista.

O estilo da performance nonsense surgiu em Nova York nos últimos meses e já se espalhou por várias cidades européias. O objetivo é reunir o maior número de pessoas possível via Internet e realizar um ato absurdo de alguns poucos segundos, desaparecendo logo em seguida. Aqui, porém, na hora de ir embora, o grupo brasileiro resolveu continuar no local, concedendo entrevistas à imprensa.

Na calçada em frente ao Conjunto Nacional, os integrantes do flash mob conversavam entre si e improvisavam um grito de guerra - "glu glu! glu glu!" -, enquanto falavam com os jornalistas que já estavam no local antes mesmo deles chegarem para a performance.

"É, as pessoas deviam ter dispersado, mas tem muita mídia aqui, sabe como é, chama atenção, o pessoal gosta de aparecer", disse o artista visual Eli-Golande, 30 anos, visto como o principal agitador do evento. Segundo ele, não existe um objetivo claro para os flash mobs, apesar de algumas poucas pessoas terem desfilado pela faixa de pedestre com uma folha sulfite com os dizeres "Contra Burguês, Baixe MP3".

"Não tem nada a ver com movimentos artísticos novos ou dos anos 60, muito menos com política. Está mais para um lance social, já que reflete o comportamento do jovem internauta, do poder do email", explicou Eli-Golande que, mesmo depois de todo mundo já ter ido embora, continuava a dar entrevistas para um grupo de repórteres. Membro de um grupo de arte plásticas, ele começou na segunda-feira a mandar mensagens eletrônicas para seus amigos, depois de ver na imprensa internacional o sucesso das performances e a repercussão delas por aqui.

A organização do evento esperava umas 20 ou 30 pessoas e ficou espantada com quantidade de gente que apareceu. Para os integrantes, cerca de 80 a 100 pessoas participaram, mas um policial que observava tudo de longe apostou que, ao todo, o ato reuniu 150 pessoas.

Na semana passada, em Nova York, cerca de 300 pessoas entraram numa loja famosa de brinquedos para endeusar um dinossauro gigante que ruge ameaçadoramente para os clientes. Enquanto os funcionários chamavam a segurança, o grupo se dispersou rapidinho.

No domingo, outro flash mob deverá acontecer também na avenida Paulista, na altura do número 900.

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