"Hitler" e "Stalin" se candidatam ao Parlamento indiano

14 de outubro de 2006 • 10h08 • atualizado às 12h08

Adolf Lu Hitler não morreu, mas desenvolveu sua carreira política em Meghalaya, no leste da Índia, junto a políticos como Frankenstein e Tony Curtis, herdeiros de uma longa tradição tribal de dar nomes estranhos aos bebês.

Meghalaya recebe assim, pelo menos no plano nominal, uma curiosa experiência onde um tal de John Fitzgerald Kennedy pode tomar chá à sombra de uma árvore junto a Billy The Kid sem sair correndo.

As últimas eleições desse estado levaram à Câmara o citado Billy The Kid, Tony Curtis e um Sexta-feira - como o criado de Robinson Crusoe -, mas deixaram na vala muitos outros políticos de nome curioso, como o próprio Frankenstein e o trio formado por Stalin, Roosevelt e Hitler.

"Não sabemos qual é a origem do costume. As pessoas aqui são um pouco iletradas e escolhem nomes que acham atrativos ou que têm um som divertido, como, por exemplo, JFK ou Adolf Hitler, que por aqui, continuam vivos", afirmou A.K. Baruah, professor de ciência política na universidade local.

Adolf L. Hitler Marak chegou a ser ministro do Meio Ambiente na região, apesar de depois ter sido detido por manter contatos com uma organização proibida, a ANVC, um dos muitos grupos terroristas do noroeste indiano.

"Talvez meus pais tenham gostado do nome, e por isso me chamaram de Hitler. Estou contente com meu nome, apesar de não ter nenhuma tendência ditatorial", disse o político ao jornal local Hindustan Times.

A maioria dos modelos nos quais os habitantes de Meghalaya se inspiram são anglo-saxões, por isso Roosevelt, Chamberlain ou Churchill são, além de personagens históricos, nomes de batismo, embora não faltem meghalayos comunistas que deram a seus filhos os nomes de Lênin ou Stalin.

Os independentes podem se inspirar na tradição histórica ou clássica, como fizeram os pais de Ulisses, político em odisséia com quatro irmãs de nome Inglaterra, Finlândia, Suíça e Nova Zelândia, ou como os progenitores de Guerra Britânica ("British War").

E, além disso, há até uma lista de cargos e virtudes, que recolhem outro bom número de parlamentares com nomes curiosos, como os traduzidos do inglês "Ousadia Nongum", "Pedra de Esperança Lyngdoh", "John Hábitos Marak" ou "Almirante Sangma".

Meghalaya é um pequeno estado de maioria cristã no nordeste indiano, onde vivem apenas dois milhões de pessoas e que se vangloria de contar em seu território com Cherrapunjee, cidade que tem o recorde mundial de chuvas anuais.

As próximas eleições da região acontecerão em 2007 e certamente concorrerão pessoas com o mesmo nome de outras das grandes estrelas da política dos anos 80, que serviram de inspiração a muitas mamães de Meghalaya.

Talvez a causa de tudo resida em que, como afirma o senhor Gupta, diretor da Casa de Meghalaya em Nova Délhi, em sua região "as pessoas são amáveis e felizes".

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