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Paquistanesa de 14 anos baleada por criticar Talibã é operada

10 out 2012
02h50
atualizado às 10h41

Uma menina de 14 anos que foi baleada pelo Talibã após fazer críticas ao grupo no Paquistão foi operada nesta quarta-feira. Malala Yousakzai está em estado de saúde estável, depois que médicos conseguiram retirar a bala de sua cabeça.

O violento episódio tem dominado o noticiário do Paquistão e provocado revolta dentro e fora do país. Autoridades e ONGs de direitos humanos condenaram o ataque e alertaram para os desdobramentos que ele pode causar, segundo a correspondente da BBC em Islamabad, Orla Guerin.

Malala Yousafzai é uma das estudantes mais conhecidas do país. Mesmo jovem, ela ousou fazer o que muitos outros não tiveram coragem: criticar publicamente o Talibã. Ela fazia campanha pela educação das meninas no país.

Ela foi baleada na terça-feira quando viajava com outras garotas na região do Vale do Swat, parte ultraconservadora do país. Um homem com barba teria atirado em Malala - não está claro se o ataque ocorreu antes de as meninas embarcarem na van ou durante o trajeto.

Ela foi atingida na cabeça e, segundo algumas testemunhas, também no pescoço. Após ser levada para um hospital local, ela foi transferida por helicóptero para um mais especializado em Peshawar.

Um porta-voz do Talibã confirmou que o grupo é responsável pelo ataque a Malala, sob a justificativa de que a menina é "anti-Talibã e secular, e não poderia ser poupada".

Consequências
De acordo com a correspondente da BBC, até mesmo para a realidade sangrenta que predomina no Paquistão, o crime provocou fúria no país. O ataque foi condenado pelo premiê Raja Pervez Ashraf, que enviou um helicóptero para transferir Malala para Pashawar.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse que o ataque contra Malala não afetará a luta do país contra os militantes islâmicos e em favor da educação feminina.

No entanto, o diretor do Comitê Indepentende de Direitos Humanos do Paquistão, Zohra Yusuf, disse que "esse trágico ataque contra uma criança tão corajosa" envia uma mensagem assustadora para todos que lutam para as mulheres e meninas paquistanesas.

O crime também foi criticado também pela maioria dos partidos políticos paquistaneses, celebridades de TV e outros grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional.

A campanha articulada de Malala em prol da educação de meninas lhe rendeu admiradores e reconhecimento dentro e fora do país. Ela apareceu em TVs nacionais e internacionais falando de seu sonho de um futuro em que a educação no Paquistão prevalecesse.

Sua luta começou quando ela tinha apenas 11 anos. Sob um pseudônimo, a estudante escrevia regularmente um diário para o Serviço Urdu da BBC enquanto o Talibã controlava a região de Swat três anos atrás e a educação de meninas era proibida. Os depoimentos de Malala na época podem ser lidos.

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