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Onda de atentados contra alvos xiitas e curdos no Iraque deixa 67 mortos

Pelo menos 67 pessoas morreram nesta quarta-feira e mais de duzentas ficaram feridas em vários atentados contra alvos xiitas e curdos no Iraque, na maior onda de ataques deste tipo no país desde o início do ano.

Vinte carros-bomba e vários artefatos explodiram em oito das dezoito províncias iraquianas, informaram à Agência Efe fontes policiais, que detalharam que os atentados foram registrados Babel, Diyala, Karbala, Salah ad-Din, Kirkuk, Ninawa, Al-Anbar e Bagdá.

A maior parte dos atentados atingiu peregrinos xiitas que se dirigiam a pé de diferentes pontos do país ao mausoléu do imã Moussa al Kazem, situado no bairro de Al Kazamiya, em Bagdá.

Moussa al Kazem, sétimo dos doze imãs xiitas, morreu no ano 799 d.C., aparentemente envenenado pelos guardiães da prisão onde estava recluso durante o reinado do califa Harun al Rachid (786-809 d.C.).

O atentado mais sangrento ocorreu na cidade de Al Hilla, capital da província de Bable, há cerca de 100 quilômetros de Bagdá, onde pelo menos vinte pessoas morreram e quarenta ficaram feridas.

Em Bagdá, aconteceram outros dois ataques: um no próprio bairro de Al Kazamiya, onde pelo menos sete pessoas morreram e 22 ficaram feridas, e outro na praça de Oqba Ibn Nafea, que deixou seis mortos e doze feridos.

Pelo menos outras nove pessoas perderam a vida e 21 ficaram feridas devido à explosão de outro carro-bomba próximo de um centro comercial numa estrada ao sul de Bagdá.

Na cidade de Kirkuk, capital da província de mesmo nome, uma pessoa morreu e outras vinte ficaram feridas após a explosão de três carros-bomba, dois deles próximos das sedes do Partido Democrático do Curdistão (KDP), formação do presidente da região autônoma do Curdistão no Iraque, Massoud Barzani.

Em Mossul, capital de Ninawa, pelo menos um membro das forças de segurança curdo-iraquianas (peshmerga) e uma criança de dez anos perderam a vida, enquanto outros dez "peshmerga" ficaram feridos em num ataque perpetrado contra uma sede desta corporação.

Por enquanto, nenhum grupo assumiu a autoria dos atentados. A violência contra xiitas e membros das forças de segurança aumentou no Iraque desde finais do ano passado, data que coincide com a retirada da maioria das tropas americanas do país. A invasão iraquiana pelos Estados Unidos e forças internacionais começou em 2003.

A isso se soma a complicada situação política local, fruto de uma crise institucional que aumentou em 19 de dezembro após a emissão de uma ordem de prisão contra o vice-presidente sunita, Tareq al Hashemi, por supostos delitos de terrorismo.

Na semana passada, o primeiro-ministro xiita Nouri al-Maliki, comandou uma moção de censura no Parlamento promovida pelo bloco Al Iraqiya, ao qual pertence Hashemi.

Neste ambiente, o presidente do país, o curdo Jalal Talabani, pediu na terça-feira para as distintas forças políticas que empreendam "um diálogo civilizado" e apliquem os acordos assinados para superar a crise.

Em comunicado, o líder ressaltou a necessidade de reativar as conversas e intensificar os esforços para "achar uma solução para as diferenças".

"O Iraque necessita prioritariamente da cordialidade entre os grupos políticos para conseguir uma participação nacional verdadeira na administração do país", destacou.

EFE
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