Imagem retirada de um vídeo do Youtube mostra uma coluna de fumaça após o ataque a um oleoduto em Homs
Foto: Youtube/AFP
As forças do regime de Bashar al-Assad bombardeiam intensamente nesta quarta-feira a cidade síria de Hama, objeto de um assédio, enquanto os ataques do Exército em Homs alcançaram um oleoduto que passa pelo bairro de Bab Amro.
Os opositores Comitês de Coordenação Local informaram que Hama está completamente cercada e isolada, já que todas as comunicações estão cortadas. O grupo destacou que os seguidores do regime invadiram os bairros de Al Hamidoiyah, Al Sharqiyah e Al Manaj, enquanto os distritos de Al Arbin, Al Amiriya, Al Faraiya e Al Eliliat, entre outros, estão sendo bombardeados de forma intensa.
Por sua parte, a Comissão Geral da Revolução Síria apontou que os ataques do Exército em Homs, no centro do país, atingiram um oleoduto que passa pelo bairro de Bab Amro, o mais castigado da cidade, e que colunas de fumaça podem ser vistas. Os bombardeios também continuam na zona de Karam al Zeitun, em Homs.
A ação foi atribuída pelos ativistas a um ataque aéreo do governo, enquanto o regime atribuiu o ato a "terroristas". "Às 6h (2h de Brasília), dois aviões militares bombardearam um oleoduto localizado na entrada do bairro de Baba Amr", declarou Hadi Abdullah, que integra a Comissão Geral da Revolução Síria.
A explosão provocou colunas de fumaça sobre a cidade. Abdullah afirmou que este foi o terceiro ataque contra o mesmo oleoduto, mas o primeiro aéreo. A agência oficial Sana atribuiu o ataque a "grupos terroristas armados". A Comissão Geral afirma em um comunicado que o oleoduto passa por Baba Amr, bairro mais afetado pela ofensiva do regime contra Homs iniciada em 4 de fevereiro.
A mesma organização destacou que em Barze, nos arredores de Damasco, os efetivos governamentais fecharam os acessos para lançar uma ampla operação de registros. Estas informações não puderam ser verificadas de forma independente devido às restrições impostas pelo regime sírio aos jornalistas.
Nova Resolução
A Assembleia Geral da ONU votará na quinta-feira um projeto de resolução preparado por Arábia Saudita e Catar que condena a repressão exercida pelo Governo da Síria e que respalda os planos de transição da Liga Árabe. O texto, que condena as violações "sistemáticas" de direitos humanos na Síria e exige ao governo de Assad que detenha "de forma imediata" os ataques contra a população civil, será votado no plenário da Assembleia às 18h de quinta-feira (horário de Brasília).
A votação na Assembleia Geral, onde não existe o poder de veto mas cujas resoluções são mais bem simbólicas por se tratar de um órgão consultivo, acontece depois de Rússia e China terem vetado no Conselho de Segurança uma resolução de condenação contra o regime sírio em 4 de fevereiro. Desde o início dos protestos, mais de 5.400 pessoas morreram, segundo os dados da ONU divulgados em janeiro, embora a oposição síria fale em mais de 6 mil vítimas civis.
Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.
A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.
Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

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