ONGs culpam governo por atraso na reconstrução do Haiti
11 de janeiro de 2011 18h01 atualizado às 20h30

Algumas das ONGs mais importantes que vem dando assistência ao Haiti criticaram nesta terça-feira a falta de liderança por parte do governo de Porto Príncipe, que um ano depois do terremoto que assolou o país não começou as tarefas de remoção de escombros e reconstrução de imóveis.

Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, Ação Contra a Fome e Ajuda em Ação destacaram em diferentes comunicados e declarações de seus responsáveis que a ineficácia do governo haitiano e a instabilidade política dificultaram e atrasam seus trabalhos. As ONGs fizeram nesta semana um balanço do trabalho para fazer frente aos destroços causados no Haiti pelo terremoto de 12 de janeiro de 2010 e pela epidemia de cólera.

A Cruz Vermelha afirmou que a presença de escombros e resíduos dificulta os deslocamentos pelas cidades de Porto Príncipe e Jamel. Por sua vez, a Ação Contra a Fome ressaltou a necessidade que as autoridades haitianas se ponham à frente dos trabalhos de remoção e de reconstrução, já que "as ONGs não podem nem têm mandato para substituir o governo do Haiti, mas a população não pode esperar e precisa de apoio".

Já a Ajuda em Ação reivindicou ao governo haitiano que libere terrenos para poder começar a construção de imóveis sociais para as mais de 1 milhão de pessoas que seguem vivendo em campos de refugiados. A ONG questionou que as autoridades se apressaram em expropriar terra no centro de Porto Príncipe para reconstruir edifícios oficiais, mas não fizeram o mesmo com os terrenos ao redor da cidade, onde deveriam surgir novos assentamentos permanentes.

"As organizações têm o dinheiro e a vontade para reconstruir os lares dos haitianos, mas até que o Governo não libere a terra que é necessária, teremos que investir o dinheiro arrecadado em substituir as tendas e adotar outras medidas destinadas a ajudar as pessoas que estão amontoadas", afirmou o diretor da Ajuda em Ação no Haiti, Jean-Claude Fignole.

Para a Médicos Sem Fronteiras, as "péssimas condições" em que vivem os haitianos são também culpa da lentidão e da falta de coordenação e liderança dos organismos internacionais na reconstrução do país.

O chefe da missão da MSF no país, Francisco Otero, criticou especialmente a "falta de flexibilidade e capacidade de reação" da ONU e da Organização Mundial da Saúde (OMS), e questionou também a atuação de outras organizações humanitárias.

EFE
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