"Estou convencido de que não haverá paz no Oriente Médio enquanto os EUA forem os tutores da paz. É necessário desenvolver outros agentes, outros países para poder negociar a paz", disse Lula em cerimônia em Brasília com altos comandantes das três forças militares do país.
O presidente afirmou que esse espírito de abrir as negociações de paz a novos interlocutores o levou a viajar para Teerã em maio deste ano para tentar conseguir um acordo na área nuclear com o regime do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
Na época, o Irã assinou um acordo trilateral com Lula e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, para a troca de urânio destinado a seus reatores com fins científicos, mas as potências nucleares o rejeitaram por temer que Teerã se baseie no pacto para fabricar uma bomba atômica em segredo.
Lula reiterou que o acordo conseguido então com Ahmadinejad tinha exatamente as mesmas condições que o presidente dos EUA, Barack Obama, o comandou dias antes em carta.
"Mesmo assim, o Conselho de Segurança da ONU decidiu castigar o Irã. A única explicação é que o Brasil e a Turquia se inseriram em um campo que não se considera de país emergente, mas do Conselho de Segurança", analisou o presidente em fim de mandato.
Lula também reivindicou o direito do país de intervir em qualquer assunto "sem pedir permissão", para ter uma influência maior no mundo.
Nesse sentido, demandou uma abertura do Conselho de Segurança a outros países, já que a instituição "representa a ordem mundial de depois da Segunda Guerra Mundial e não o do século XXI", o que o transformou em "um clube de amigos".

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