Moçambique volta atrás e suspende aumento do pão após protestos
07 de setembro de 2010 19h38 atualizado às 21h27

O ministro do planejamento de Moçambique, Aiuba Cuereneia, anunciou nesta terça-feira que o preço do pão no país voltará ao que era antes de um reajuste que provocou violentos protestos na semana passada.

Em comunicado, Cuereneia disse que o preço anterior do produto será mantido com a introdução de subsídios. Antes disso, o governo moçambicano tinha dito que a alta dos preços era "irreversível".

O preço do pão havia subido para o equivalente a US$ 0,20 (R$ 0,35) em um país onde o salário médio do trabalhador é US$ 37 (R$ 63) ao mês e 70% da população vive abaixo da linha de pobreza. Agora, o pão voltará a custar US$ 0,14 (R$ 0,24).

O ministro também disse que o governo moçambicano deve restaurar os subsídios à água, cujo preço deve ser reduzido em 50%.

Crise de abastecimento
O súbito aumento nos preços de produtos básicos gerou três dias de protestos violentos na ex-colônia portuguesa do sudeste da África.

Segundo dados do governo, 13 pessoas morreram durante as manifestações e centenas ficaram feridos ou foram presos.

Representantes do governo afirmaram recentemente que manter os preços de alimentos estáveis no país é difícil porque a maior parte dos produtos é importado.

O ministro da indústria e comércio, Antonio Fernando, disse à BBC que a meta do governo é aumentar a produção de trigo no país, que atualmente produz somente 30% do que consome.

Segundo analistas, a escalada dos preços foi, em parte, causada por um declínio de 33% do valor do metical, moeda moçambicana, em relação ao rand sul-africano. A África do Sul é uma das principais exportadores de produtos ao país.

Soma-se a isso um aumento no preço do trigo por causa da seca e dos incêndios na Rússia, uma das principais produtoras do mundo. A situação no país levou o governo russo a proibir até 2011 a exportação do cereal.

BBC Brasil
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