Detento morre durante motim em prisão de Moçambique
04 de setembro de 2010 06h23 atualizado às 09h03

Um preso morreu quando os 2.300 detentos de uma prisão nos arredores de Maputo se amotinaram e tentaram fugir, em meio à confusão que reinou durante três dias de distúrbios e protestos pela inflação em Moçambique, informou neste sábado a penitenciária.

A prisão se encontra na localidade de Matola, um dos epicentros das violentas manifestações que começaram na quarta-feira passada em protesto contra a alta dos preços do pão, dos combustíveis e dos serviços básicos e que causaram pelo menos 10 mortes e deixaram 443 feridos.

Os presos se aproveitaram da situação para realizarem o motim, e exigiram liberdade "incondicionalmente", segundo disseram à agência Efe fontes carcerárias.

A revolta acabou após a intervenção de soldados da Força de Intervenção Rápida (FIR) da Polícia moçambicana, que dispararam gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os amotinados, segundo as fontes.

"Foi só uma questão de oportunismo, quando os perguntamos o que pretendiam e qual era a razão do motim, disseram simplesmente que queriam ir para casa", relatou um dos guardas da prisão.

Durante o motim, os internos apedrejaram um diretor do centro, que tentava acalmar os ânimos e que teve que ser levado a um hospital local para tratamento de seus ferimentos.

Enquanto isso, a calma retornou a Maputo e outros centros urbanos de Moçambique, onde as autoridades mantêm um forte desdobramento de segurança para o caso de retomada das manifestações de protesto pela alta dos preços.

Moçambique é um dos países mais pobres do mundo, apesar de ter registrado nos últimos anos um forte crescimento econômico, com uma média de 8% anual, o que beneficiou um pequeno grupo de pessoas, muitas delas relacionadas com o governo, entre as quais se destaca o presidente, Armando Guebuza.

EFE
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