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WikiLeaks publica banco de dados da "indústria da espionagem"

1 dez 2011
13h19
atualizado às 17h01

A organização WikiLeaks divulgou, nesta quinta-feira, um banco de dados com informações sobre "sistemas de interceptação de massa". Trata-se de um mapa mundial com empresas de inteligência ligadas à filtragem de informações de pessoas da sociedade civil.

Mapa mostra indústrias de todo o mundo ligadas à "viligância" de dados de pessoas privadas
Mapa mostra indústrias de todo o mundo ligadas à "viligância" de dados de pessoas privadas
Foto: WikiLeaks / Reprodução

"Esta indústria é, em prática, não-regulada. Agências de inteligência, forças militares e autoridades policiais são capazes de, em massa ou silenciosamente, interceptar ligações e tomar computadores sem a ajuda ou o conhecimento de provedores de telecomunicação", diz o texto do projeto, denominado "The Spy Files" ("Os arquivos de espionagem", em tradução livre).

Os dados liberados hoje, segundo o WikiLeaks, representam o primeiro bloco de "centenas de documento de 160 empreiteiras da inteligência na indústria da vigilância de massa". A investigação, descrita como um "projeto em curso", é levada a cabo com organizações de investigação e mídia de seis países. Entre eles estão o Escritório de Jornalismo Investigativo do Reino Unido (The Bureau of Investigative Journalism in the UK) e o jornal Washington Post, dos Estados Unidos.

"Nos últimos dez anos, sistemas para vigilância indiscriminada de massa tornaram-se a norma. Companhias de inteligência, como a VASTech, vendem equipamentos para gravar permanentemente ligações telefônicas de nações inteiras", diz o comunicado da WikiLeaks. "Há firma comerciais que agora vendem softwares espeicias que analisam esses dados e transformam-no em poderosas ferramentas que podem ser usadas por agências militares e de inteligência."

O mapa disponilibilizado no site da organização enumera as empresas que praticam este tipo de serviço, especificando o tipo de vigilância (como conversas telefônicas, mensagens de celular, monitoramento de internet, vírus de computador e localização de sinais de GPS).

No Brasil, a única empresa citada é a Suntech Intelligence, com sede em Santa Catarina. De acordo com o gerente de marketing da empresa, Juliano Vasconcelos, a companhia é brasileira, existe há 15 anos e atua no mercado de telecomunicações. Seu principal produto é o Vigia, um sistema de interceptação legal que faz auditoria da rede da operadora e evita que ocorram grampos ilegais.

"Ou seja, se um técnico de uma operadora fizer um serviço de desvio de chamada, um grampo ilegal, o Vigia analisa o que está programado na central e o que está sendo feito. Então, se houve alguma interceptação que não foi cadastrada no Vigia, o sistema corta a configuração", disse, garantindo que a operação da tecnologia e a manutenção de bancos de dados ficam à cargo dos clientes e não da Suntech Intelligence.

Segundo Vasconcelos, o Vigia foi criado para garantir de que a operadora consiga manter o sigilo das informações. As interceptações são feitas por ordem judicial e tem o áudio direcionado para autoridades como a Polícia Federal responsáveis pela escuta. O gerente diz que a empresa esteve, inclusive, no CPI dos Grampos, em 2008, onde falou sobre a tecnologia e recebeu elogios.

Vasconcelos diz que entre as empresas citadas pelo WikiLeaks, várias, inclusive a própria Suntech, estiveram presentes em edições do evento Intelligence Support System for Lawful Interception, Criminal Investigations and intelligence Gathering (ISS World), voltado para empresas que atuam na área. Segundo ele, algumas destas companhias atuam em países onde governos e agências de inteligências interceptam diversas fontes de dados, mas lembra que esse não é o caso do Brasil.

Fonte: Terra

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