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 Raquel: "em geral, as crianças americanas são muito mal educacadas" |
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A forma mais barata hoje de fazer um intercâmbio no exterior é o au pair, programa mais vendido na maioria das agências. Esta forma de conhecer uma nova cultura, aprender um idioma e também juntar dinheiro requer, entretanto, algo que não é para qualquer um: gostar e saber cuidar de crianças. O au pair trabalha como babá na casa de uma família, que arca com suas principais despesas.
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O custo do programa de au pair fica em torno de US$ 550 por um ano. O participante também deixa um depósito de US$ 500, devolvido na volta. Para os EUA, o pacote inclui o preço das passagens aéreas, pagas pela família. No caso de outros países, como a França, o transporte aéreo fica a cargo do próprio estudante. Para um intercâmbio regular com um ano de Ensino Médio nos EUA, por exemplo, os valores variam de US$ 5 mil a US$ 20 mil.
Entre as tarefas de um au pair estão brincar com as crianças, preparar o lanche da escola e arrumar brinquedos, roupas e material escolar. Geralmente, o intercambista tem quarto individual, seguro médico e faz as refeições na casa da família, além de receber um salário semanal de aproximadamente US$ 140. A família ainda oferece um bônus de US$ 500 por ano para qualquer curso, seja de inglês ou cultura, por exemplo.
Os que já foram para outro país e optaram por essa modalidade de intercâmbio não se arrependem, apesar das dificuldades encontradas. Segundo a supervisora do programa au pair da agência Central de Intercâmcio, Gisele Mainardi, são poucos os casos em que devido à falta de adaptação com determinada família o au pair é indicado para outra. Se ele realmente não se adaptar, retorna para o Brasil. Esse não é o caso da publicitária Lis Paz Godinho, 23 anos, que está Danbury, Connecticut, nos EUA, participando do programa.
Incentivada por um amigo americano, ela decidiu encarar o desafio e diz que é uma experiência gratificante. "A idéia de ter uma família para me apoiar, de me sentir responsável pela educação das crianças, de imprimir um pouco de 'brasilidade' as suas personalidades e, ao mesmo tempo, viver mesmo como americana, me conquistaram", revela.
Mas a economia financeira vem acompanhada de um certo ônus profissional. A própria Lis avisa que o choque cultural é uma dificuldade. Já a paulista Raquel Amarins, 21 anos, vê outros problemas. "Em geral, as crianças americanas são muito mal educacadas", explica a jovem, há nove meses nos EUA. Para ela, a receita é conversar e tentar conhecer bastante a família antes de assinar o contrato.
Perfil
De acordo com a coordenadora do Departamento de Marketing da STB, Cláudia Martins, quando o programa surgiu, há 5 anos, o perfil de quem participava era de meninas estudantes de pedagogia ou psicologia. No entanto, o programa tem se expandido. "O único pré-requisito é ter entre 18 e 26 anos. Agora, pessoas das mais diversas áreas optam pelo au pair, como estudantes de biologia, comunicação e direito", ressalta.
A imersão em uma nova cultura é total: a convivência com os hábitos da família e do local onde se mora obriga o jovem a esquecer um pouco o país de origem e adaptar-se a novos costumes e formas de vida. "Tivemos casos de meninas que interagiram tão bem com a família que, depois de voltar, nas férias, promoveram um encontro da família estrangeira com a brasileira", afirma Gisele.
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