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Viver no Exterior
Sexta, 3 de fevereiro de 2006, 15h47 
"Choque cultural" é dificuldade, diz brasileira
 
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A publicitária Lis Paz Godinho, 23 anos, trabalha como au pair desde julho de 2005 com uma família em Danbury, Connecticut, nos EUA. A brasileira tem contrato até julho deste ano, mas espera renovar por mais um ano. "Estamos negociando", afirma. Ela conta como é seu trabalho na pequena cidade próxima a Nova York e diz que a maior dificuldade é o choque cultural entre a babá e a família.

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Por que você optou pelo au pair?
Fui pesquisar os programas e gostei do au pair de cara. A idéia de ter uma família para me apoiar, de me sentir responsável pela educação das criançaas, de imprimir um pouco de "brasilidade" as suas personalidades e, ao mesmo tempo, viver mesmo como americana me conquistou de tal maneira que só conseguia ver os defeitos dos outros programas (pouco tempo, muito caro ir só pra estudar, sem trabalhar, muito longe...).

Como é a família?
A família não é tão "abastada" como se imagina. Vivem em uma boa casa (três andares, cinco quartos, três banheiros e um lavabo), têm carros caríssimos e um barco, mas estão sempre contando os centavos. Os meninos são três, mas o mais velho tem 16 anos e não tenho responsabilidade nenhuma com ele. Cuido dos outros dois, que têm 3 e 6 anos".

Quais são suas tarefas?
Minha rotina com eles é a seguinte: acordá-los às 7h, ajudar com a higiene, vesti-los, dar café da manhã e levar o de 6 anos (Christian) anos para o colégio. O mais novo vai às terças e quintas-feiras para a creche por 6 horas e à ginástica às sextas-feiras. À tarde, levo o Christian para a aula de matemática. Sou também responsável pela supervisão dos deveres de casa e tento controlar o tempo em frente à televisão e aos computadores. Durante os fins de semana, tenho todo o tempo livre, mas muitas vezes fico em casa com a família. Algumas vezes viajo para lugares perto. No total, trabalho cerca de 45 horas por semana e ganho o salário padrão do programa, que é US$ 140 por semana (mais casa, comida e direito a usar a lava-roupa).

Quais são as principais dificuldades?
O choque de culturas, sem dúvida. A família tentou desde o começo me tratar como igual, e isso foi ótimo. Mas alguams coisas eles não têm como entender. Americano cria os filhos pra sair de casa aos 18 anos e não entende que me doa tanto, aos 23 anos, a saudade de casa. Mas eles respeitam isso.

O que você está aprendendo com o programa?
Fora o curso de inglês no semestre passado, aprendi a bater o pé por algumas coisas com as quais não concordo (e a engolir alguns sapos também). A defender a imagem dos meus país e da minha gente. Deixei um pouco de lado meu discurso de que sou mais latina que brasileira e, embora aqui esteja todo mundo na mesma panela (hispânicos e brasileiros), me tornei muito mais orgulhosa da cultura acima do sudeste. Aprendi, para o meu futuro como mãe, que as crianças copiam muito mais do que a gente imagina e que os pais têm uma tendência a ver e ouvir seletivamente. Descobri que sou, sim, parcial e, às vezes, injusta.
 

Redação Terra