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 Gnus na savana do Pilanesberg National Park |
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Quando Valdir Borges desembarcou na Cidade do Cabo, já sabia que a África do Sul seria sede da Copa do Mundo de 2010. Mas ainda não tinha idéia da ótima vivência que teria no país.
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"Se eu tivesse que definir a minha viagem com uma palavra, esta palavra seria 'impagável'", afirma o paulistano de 27 anos que, mesmo depois de conhecer a Europa, escolheu o país africano para fazer proficiência em inglês, uma das onze línguas faladas por lá.
O adjetivo usado por Valdir não é exagerado. A Cidade do Cabo é considerada uma das seis cidades mais bonitas do mundo. Situada no extremo sul do continente africano, onde os oceanos Atlântico e Índico se encontram, a segunda maior cidade sul-africana é dominada por vales, penhascos e por um maciço rochoso de mais de mil metros de altura, denominado Table Mountain.
Valdir chegou lá em janeiro deste ano para estudar durante três semanas e gostou muito. "O nível do ensino é muito bom, não fica devendo em nada para os lugares mais conhecidos", diz. Segundo ele, as aulas eram sempre muito dinâmicas e criativas. "O professor levava a turma às ruas, íamos aos mercados e comprávamos coisas, tudo como no dia-a-dia".
Grandes mercados são característicos dos centros urbanos sul-africanos. Em Durban, cidade com grande população indiana que fica na costa do Índico, compra-se de tudo nas ruas, desde comida até objetos típicos da arte africana. Na Cidade do Cabo, todos os dias é montado o Greenmarket, onde os estrangeiros podem arriscar um "praat jy engels?" ("falas inglês?", em africâner, dialeto surgido na região do Cabo da Boa Esperança) para conseguir preços mais baixos.
O aprendizado não se restringia ao horário das aulas. Mesmo podendo optar por outras formas de hospedagem, Valdir preferiu os alojamentos que a própria escola oferecia, assim teve a oportunidade de conhecer de perto outras culturas. "Durante uma semana, meu colega de quarto foi um alemão, depois fiquei um tempo com um coreano. Foi muito legal, conversei muito com os dois. O único problema era que o coreano tomava banho uma vez por semana", se diverte.
Não foi coincidência que os dois colegas de quarto de Valdir tivessem aquelas nacionalidades. Grande parte dos intercambistas que vão para África do Sul são alemães, suíços ou orientais.
Mas a mistura de raças e culturas que divertiu o brasileiro ainda é assunto delicado para o país que viveu anos sob um regime de racismo legal. Embora o apartheid tenha terminado há 12 anos, a separação entre brancos e não-brancos ainda é determinante na vida dos sul-africanos. "Você chega e percebe. Não há brancos faxineiros ou atendentes de lojas", conta Valdir.
A agente de turismo Roberta Roth, que elabora roteiros personalizados para a África do Sul, acredita que os anos de racismo legal estão muito presentes. "Os negros ainda são subservientes, estão à margem da sociedade".
O problema da violência
A violência é uma das maiores dificuldades enfrentadas pela sociedade sul-africana. O racismo, que também tem origens tribais (além das políticas, econômicas e sociais), contribui bastante para tornar as cidades do país perigosas tanto para estrangeiros quanto para os próprios sul-africanos.
Roberta diz que em cidades como Johannesburgo ir ao centro é arriscado, até mesmo de dia, principalmente para pessoas brancas. "O centro de Johannesburgo está abandonado, escritórios e hotéis fecharam as portas, tudo o que ficava lá migrou para os subúrbios". Segundo ela, na Cidade do Cabo é possível caminhar no centro com certa segurança, mas até determinado horário. "Depois é mais seguro pedir um táxi", aconselha.
Valdir confirma que não se deve arriscar. "Não dá pra sair com uma câmera pendurada no pescoço, relógio no pulso e tênis caro nos pés". Ele acha que é a violência sul-africana é muito parecida com a brasileira. "Não achei muito diferente de São Paulo", completa.
Assim como no Brasil, em todo o país há um enorme contraste entre ricos e pobres. Em Johannesburgo, grandes mansões convivem próximas a favelas paupérrimas, onde as habitações são feitas de pedaços de latas e placas metálicas.
Safáris e esportes radicais
A África do Sul possui uma área de preservação ambiental que abrange cerca de 20% de seu território. A manutenção desses locais, de responsabilidade do Estado e da iniciativa privada, proporciona diversas reservas de observação de animais no habitat natural.
A maior e mais conhecida dessas reservas é o Kruger Park, que tem o tamanho do Estado de Israel. Lá é possível ver animais como elefantes, leopardos, búfalos, leões e antílopes bem de perto, fazendo o chamado safári, em que o visitante passeia pela savana em um carro fechado, ou de longe, sobrevoando o parque com um balão. Valdir preferiu ver os animais bem de perto. "Eu brinquei com um leão de quatro meses, foi muito legal", conta.
Mas encontros com animais selvagens são apenas o começo do diferencial sul-africano. Esportes radicais como bungee jump e até mergulho com tubarões nas praias de Clifton e Camps Bay, localizadas na Cidade do Cabo, também compõem as atrações existentes. Outras atividades bastante praticadas no país são o trekking e o montanhismo. Segundo Roberta, o povo sul-africano gosta muito de caminhadas. "Qualquer atividade ao ar livre é muito apreciada", diz.
Com tantas atrações, belezas naturais e um ensino de qualidade, a África do Sul é muito mais do que a sede da próxima Copa do Mundo. Até porque, se a seleção brasileira ficar do jeito que está, a próxima Copa para o Brasil pode ser apenas em 2014.
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